Idoso com demência abatido a tiro pela polícia

O homem tinha 73 anos e sofria de demência
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Um homem de 73 anos que sofria de demência foi morto pela polícia na Califórnia, Estados Unidos, esta segunda-feira. Francisco Serna estava a poucos metros de casa quando foi baleado por um agente que acreditou que o idoso estava armado.

Serna não obedeceu às ordens do polícia quando este lhe ordenou que se imobilizasse e tirasse as mãos dos bolsos. Em resposta, o agente Reagan Selman disparou sete vezes, segundo o LA Times. Veio a descobrir-se depois que o que estava no bolso do reformado, que morreu no local, era um crucifixo e não uma arma.

O incidente aconteceu na madrugada de segunda-feira, pouco depois de a polícia ter sido chamada pelos vizinhos de Serna, que davam conta da presença de um homem, alegadamente armado, a circular no bairro.

Uma das vizinhas do idoso contou à polícia que tinha acabado de chegar a casa com uma amiga, por volta da meia-noite, e estava a sair do carro quando o reformado apareceu por trás e lhe ordenou que voltasse a entrar no automóvel. Segundo a mulher, Serna tinha a mão no bolso do casaco e parecia estar a agarrar uma arma, por isso ela e a amiga correram para dentro de casa e chamaram as autoridades.

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Segundo a AP, os agentes estavam a acabar de recolher o depoimento das duas mulheres quando o homem de 73 anos saiu de casa. A vizinha, reconhecendo-o, identificou-o como o homem armado.

Os agentes tentaram falar com Serna, mas o idoso não seguia as instruções da polícia. Não passaram mais de 30 segundos, desde que a vizinha apontou o alegado suspeito, até o agente Selman começar a disparar.

O chefe da polícia local, Lyle Martin, disse em conferência de imprensa que se tratava de um conjunto de circunstâncias extremamente difíceis para um agente que acreditava que o suspeito estava armado. O resultado foi uma "tragédia para a família, para a comunidade em geral e para o departamento da polícia".

"O meu pai não tinha nenhuma arma. Era um avô reformado de 73 anos a aproveitar a vida", disse Rogelio Serna, filho da vítima, que revelou que o pai sofria de demência desde o ano passado e que os sintomas tinham piorado no último mês. Serna tinha alucinações e, quando não conseguia dormir, ia dar passeios pelo bairro para ficar cansado.

A polícia já tinha sido chamada a casa de Francisco Serna pelo menos duas vezes, após o homem ter acionado o alarme médico porque estava "confuso", segundo o filho. Trata-se de um dispositivo disponível nos EUA para que os idosos deem o alerta em situações de perigo ou risco para a saúde.

A polícia confirmou que já tinha ido a casa de Serna e acrescentou que os agentes recebem formação sobre como lidar com situações que envolvam idosos com demência.

Outro vizinho de Serna disse ter também pensado que o reformado estava armado quando se cruzou com ele, horas antes do episódio que terminou com a morte do idoso. Serna tentou lutar com o vizinho e invadir-lhe a casa, sem tirar uma mão do bolso do casaco, numa situação descrita como "bizarra".

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