O último relatório de avaliação do Fundo Monetário Internacional sobre a Grécia - e que aponta mais uma vez para a insustentabilidade da dívida e a necessidade de haver um alívio - conseguiu subir o tom entre o fundo e a zona euro, que defende que tal alívio não é necessário. As vozes mais críticas surgem da Alemanha e da Holanda, países cujos governos enfrentam grandes desafios eleitorais neste ano. Do outro lado do Atlântico, o potencial embaixador dos EUA junto da União Europeia também entrou na discussão, dizendo que o grexit seria uma boa opção..No documento do FMI, divulgado oficialmente na terça-feira, o fundo calcula que o peso da dívida chegará a 170% do PIB em 2020 e a 164% em 2022. Mas que ganhará um peso incomportável depois disso e crescerá para 275% do PIB em 2060..Há muito que o FMI tem pedido à zona euro um alívio substancial da dívida de Atenas, mas a Alemanha tem-se oposto firmemente ao avanço desta medida antes do final de 2018, altura em que a Grécia tem de completar as suas reformas..A avaliação da evolução da dívida grega feita pelo FMI poderá afastar de vez a possibilidade da sua participação neste terceiro resgate - atualmente apenas suportado pelos países da zona euro - porque a política do fundo é entrar em programas que no final permitam aos países ficarem por conta própria. A zona euro, por seu turno, quer a participação do FMI, mas não parece disposta a proporcionar à Grécia o alívio da dívida necessário para o fundo se juntar a eles..Falando ontem sobre esta mais recente polémica, a diretora-geral do FMI afirmou que Atenas ainda precisa de melhorar a sua comunicação dos dados económicos, mas as questões da transparência provavelmente não são a causa dos diferentes pontos de vista sobre a sustentabilidade da dívida grega. Para Christine Lagarde, essas diferenças sobre se a Grécia poderá alcançar metas ambiciosas de excedentes orçamentais de 3,5% do PIB devem-se mais provavelmente a diferentes pontos de vista sobre a capacidade da Grécia em cumprir as suas reformas económicas e fiscais..Da Alemanha (com eleições marcadas para setembro) e Holanda (em março) as mensagens não deixam margem para dúvida. Ontem, Jeroen Dijsselbloem, ministro das Finanças holandês e presidente do Eurogrupo, avisou que a Holanda poderá sair do programa de resgate à Grécia se o FMI sair de cena. E acrescentou que a Alemanha fará o mesmo. Declarações feitas um dia depois de ter apelidado de ultrapassados os dados usados pelo fundo para a sua avaliação. "É surpreendente porque a Grécia já está melhor do que o que é descrito no relatório", afirmou Dijsselbloem nesta terça-feira..Já Berlim acredita que o FMI vai continuar como credor do resgate da Grécia, reiterou na segunda-feira um porta-voz do Ministério das Finanças, mas adiantou que uma saída do fundo significaria o fim do atual resgate..Na semana passada também, Klaus Regling, o diretor do Mecanismo Europeu de Estabilidade, organismo que gere o fundo de resgate europeu, havia dito que a Grécia só receberá mais empréstimos da zona euro se o FMI se juntar ao atual programa de ajuda, especificando assim uma condição até agora ignorada pelos credores. A Grécia precisa de uma nova tranche de ajuda do seu programa de resgate de 86 mil milhões de euros até ao terceiro trimestre do ano, caso contrário corre o risco de entrar em default..O presumível futuro embaixador dos Estados Unidos junto da União Europeia, Ted Malloch, afirmou numa entrevista à televisão grega Skai que Atenas deverá abandonar a zona euro dentro de um ano, talvez ano e meio..Dias antes, numa entrevista à Bloomberg, o economista já havia dito que a Grécia estava melhor fora da zona euro. "Se o FMI não entrar num novo resgate que não inclua um substancial alívio da dívida, então isso mais ou menos garante um confronto com os credores da zona euro. Todos nós sabemos que isso pressiona a Alemanha, que se opõe a essas medidas, por isso penso que tal sugere que a Grécia poderá ter de cortar laços, acionar o grexit, e sair do euro."