Grupo Vita identifica 64 vítimas de abusos sexuais na Igreja

Desde maio, o Grupo VITA recebeu 278 chamadas telefónicas e identificou 64 vítimas, das quais a maioria (56,4% dos casos) é do sexo masculino, sendo que as idades variam entre os 19 e os 74 anos.
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O Grupo VITA, composto por uma equipa interdisciplinar com profissionais das áreas da psicologia, psiquiatria, serviço social, sociologia e direito - penal e canónico - revelou esta terça-feira, em conferência no Hotel Mundial, em Lisboa, o 'Relatório de Atividades I dezembro de 2023', relativo aos meses entre maio e novembro, bem como o 'Manual de Prevenção da Violência Sexual contra Crianças e Adultos Vulneráveis, no contexto da Igreja Católica em Portugal'.

Do relatório constam vários dados sobre vítimas de abuso sexual no contexto da Igreja. Nos primeiros seis meses de funcionamento, foram recebidas 278 chamadas telefónicas relativas a situações de violência sexual no contexto da Igreja e outras formas de violência, bem como outras ocorrências não relacionadas com a missão do Grupo VITA.

Dos contactos recebidos através da linha telefónica do Grupo VITA - 91 509 0000 - e do formulário do site, bem como do email geral@grupovita.pt, foram identificadas 64 vítimas de violência sexual e uma pessoa - no caso um leigo - que cometeu crimes sexuais no contexto da Igreja. No caso do agressor, a situação já tinha sido sinalizada às entidades competentes (penais e canónicas) e esta pessoa foi encaminhada para apoio psicológico para um profissional da Bolsa do Grupo VITA.

Do relatório de atividades consta que a maioria das vítimas é do sexo masculino, com 56,4% dos casos, e todas elas possuem nacionalidade portuguesa. Relativamente à idade atual, esta varia entre os 19 e os 74 anos. Ainda tendo em conta os dados do relatório de atividades do grupo VITA, a maioria das vítimas está divorciada ou separada (41,4%), 31% é solteira e cerca de um quarto encontra-se numa relação - casamento/união de facto.

A maioria das vítimas vive sozinha (41%) e 67% refere ter um ou dois filhos. Em termos geográficos, 38,4% das vítimas mora, atualmente, na região centro e 30,1% no norte de Portugal. A maior parte das vítimas tem o ensino secundário completo e cerca de 23% possui mesmo uma licenciatura. No que toca à religião, mais de metade das vítimas (59%) considera-se católico.

À data dos alegados factos, a grande maioria das vítimas (71,8%) vivia com a família nuclear e 18% estavam institucionalizadas: cinco vítimas em seminário, uma em colégio de ordem religiosa e uma em casa de saúde. Em termos de período temporal da vitimização e antiguidade da respetiva situação dos abusos existe uma grande variação, entre o ano de 1960 e o de 2023. Mais de metade das vítimas (51,3%) só agora revelou a situação e 28,2% fê-lo, pela primeira vez, ao grupo VITA.

O relatório de atividades revela ainda, no que respeita à pessoa que cometeu o abuso sexual, que são todas do sexo masculino. A quase totalidade das vítimas refere que o agressor foi um sacerdote. Apenas quatro vítimas mencionaram ter sido um leigo - catequista ou seminarista. A grande maioria das vítimas identifica o agressor e refere uma idade aproximada que varia entre os 21 e os 65 anos. A quase totalidade das vítimas (97,4%) afirma ter conhecido o agressor no contexto da Igreja.

Ao mesmo tempo que apresenta estes dados, o relatório dá conta de várias estratégias para promoção da segurança de de crianças e adultos vulneráveis face a eventuais abusos sexuais. Uma delas, já votada na Assembleia da República, é a criação da figura do 'Provedor da Criança'.

Também hoje, o grupo VITA apresentou o 'Manual de Prevenção da Violência Sexual contra Crianças e Adultos Vulneráveis, no contexto da Igreja Católica em Portugal'. Este está organizado em três grandes linhas: Conhecer, Prevenir e Agir. O manual está disponível no site do grupo VITA em www.grupovita.pt.

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