João Ponte, que foi ouvido na Comissão Eventual de Inquérito ao Setor Público Empresarial Regional e Associações Sem Fins Lucrativos Públicas, na delegação de Ponta Delgada do parlamento dos Açores, considerou que estes valores são resultado da reestruturação, que passou pela suspensão da transformação de açúcar a partir de beterraba..O secretário regional da Agricultura e Florestas referiu que nos primeiros seis meses do ano houve uma redução das dívidas aos fornecedores, a par de "resultado operacionais positivos".."O resultado líquido do exercício nos primeiros seis meses ainda é negativo, mas existe uma redução significativa em relação ao valor anterior", disse João Ponte, adiantando que a reestruturação da única açucareira dos Açores passa pela alienação do seu património para a redução do seu passivo, "extremamente elevado"..A reunião parlamentar ficou marcada por acusações mútuas dos deputados social-democratas e socialistas sobre eventuais favorecimentos ao anterior acionista da empresa quando a parte deste foi adquirida pelo Governo dos Açores, em 2010, data que está fora do âmbito da ação da comissão parlamentar, que respeita a 2016 2017. .O deputado social-democrata António Viveiros explicou que uma resolução do Tribunal de Contas devolveu a primeira minuta do contrato de compra da Sinaga por parte do Governo Regional, "fundamentalmente porque existe uma divergência entre a resolução do Conselho do Governo e o preço que é fixado e o que eram os benefícios para o vendedor".."Este contrato é recusado pelo Tribunal de Contas, havendo um segundo que foi visado, que se desconhece, e que foi requerido em sede de comissão de inquérito pelo PSD. A verdade é que, na minuta que é recusada, além do preço de compra de 800 mil euros, que constava da resolução do Conselho do Governo, havia um conjunto de benefícios adicionais para o vendedor", afirmou..Ainda de acordo com António Viveiros, em causa está a devolução de 800 mil euros de suprimentos, incluindo a "obrigação de ser a empresa pública Ilhas de Valor a pagar parte destes", que eram da Sinaga, a par de "garantias reais prestadas por empresas do vendedor e garantias pessoais a empréstimos da açucareira"..O deputado questionou como é que "alguém que vende 51% do capital, com o comprador a reconhecer que a empresa caminha para o encerramento, ainda recebe benefícios para além do que estava na resolução do Conselho do Governo"..A deputada socialista Sónia Borges de Sousa declarou, por seu turno, ser irrelevante que os documentos venham ou não à comissão de inquérito, salvaguardando que "o que não pode acontecer é constantemente as regras serem atropeladas pelo presidente da comissão" a favor do partido deste (PSD)..Para a parlamentar, o PSD/Açores está a "retirar conclusões de uma comissão que está a meio", considerando que que através do titular da pasta da Agricultura e do presidente da administração da Sinaga ficou claro que a matéria aludida pelo PSD "não faz qualquer sentido e não foi, de todo, provada"..Sónia Borges de Sousa referiu ainda que foram feitas alusões pelo deputado social-democrata a uma auditoria que "não é nova", sustentando que o que foi feito foi um "conjunto de possíveis leituras do que se pretende concluir", aconselhando o parlamentar do PSD a reler a intervenção do presidente da Sinaga..A deputada especificou que o responsável da açucareira foi "muito claro ao afirmar que os empréstimos que a empresa assume como parte da dívida construída ao longo destes anos não têm qualquer relação com os empréstimos à data de hoje, com garantias pessoais ou quaisquer instrumentos de natureza financeira dos antigos acionistas".