Quatro homens de pé reunidos na entrada de um prédio em silêncio assinalam o início de uma reunião de condomínio. O homem mais magro, com uma pasta na mão, pergunta se algum dos outros três gostaria de assumir a direcção do condomínio. Faz-se silêncio. Cada um dos inquilinos desvia o olhar, como se não nada fosse com ele. Perante a indiferença dos restantes inquilinos, o homem da pasta diz que o melhor é esperar dez minutos até que apareça mais alguém. O tempo passa, a barba dos homens cresce, o tempo passa e barba continua a crescer, muito tempo passa e, dos três homens que ainda sobrevivem, o único que finalmente parece aceitar o cargo de director de condomínio morre, caindo para o chão... ao que o outro homem da pasta diz indignado "Perante esta situação, acho que o senhor não reúne as condições para aceitar!" Este é um dos muitos sketches, incluídos na série Barbosa da equipa do Gato Fedorento, com estreia marcada para dia 2 de Maio, às 21.30, na SIC Radical e apresentado ontem aos jornalistas..Depois da primeira série (Fonseca) e da segunda (Meireles), é a vez de Ricardo Araújo Pereira, José Diogo Quintela, Tiago Dores e Miguel Gois apresentarem aquilo que os próprio denominaram "uma forma de disseminar a parvoíce por Portugal". Constituída por 13 episódios, a série Barbosa é o "último grito na forma de fazer humor como se faz no estrangeiro. Humor sem graça", explica José Diogo Quintela..Porquê o nome Barbosa e não outro? "Bem, porque queremos homenagear a literatura portuguesa, nomeadamente, Manuel Maria do Bocage", diz Ricardo Araújo Pereira, em tom sério para logo depois desconstruir tudo e rematar "É falso, até porque nunca lemos um único livro." .À pergunta porquê um programa como este continuar num canal de cabo (SIC Radical) e não aventurar-se para um canal generalista, Ricardo Araújo Pereira responde "Com menos gente a ver, o insucesso é menos retumbante". E depois, mais a sério: "é difícil conseguir que um canal generalista tenha confiança em nós deixando-nos fazer tudo aquilo que nos apetece como agora". .Sucesso. Um sucesso igual à venda do seu DVD, apresentado na digressão, é o que pretendem no fundo os quatro humoris- tas, embora não o reconheçam. Recorde-se que o DVD do Gato Fedorento foi o segundo mais vendido em 2004, só superado pe- lo Senhor dos Anéis, conseguin- do, segundo os seus elemen- tos, "enganar cerca de 60 mil famílias".