Galp faz primeiro poço em Portugal no verão

Empresa tem uma exploração no Alentejo, em alto-mar, a 80 quilómetros de Sines. Este poço será para saber se há crude e o maior investimento é da Eni, parceira no projeto
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É já este verão que a Galp vai arrancar com o seu primeiro poço de petróleo em Portugal, na exploração que tem no Alentejo, em alto-mar a 80 quilómetros de Sines. O anúncio foi feito ontem durante a apresentação em Londres, aos analistas, do plano de investimento da empresa até 2020.

Este poço será exploratório, ou seja, servirá apenas para a empresa saber se há ou não petróleo. A verdade é que se o projeto avança é porque os estudos já feitos pela empresa indicam que valia a pena fazê-lo. Mas há outros dois factores que ajudam a que o processo seja agora desbloqueado.
Um deles é o facto de ser o parceiro da Galp em Sines - a italiana Eni - a investir mais nesta fase. É que, segundo explicou o CEO da empresa, Carlos Gomes da Silva, quando a Eni entrou no projeto em dezembro de 2014 ficou com uma posição de 70% e a Galp passou de uma participação de 50% para 30%.

O outro fator refere-se aos custos. Segundo explicou Carlos Gomes da Silva, à margem da apresentação do plano de investimento até 2020, fazer este tipo de poços exploratórios está mais barato agora porque com a queda do preço do petróleo muitas empresas decidiram adiar investimentos e deixaram as sondas usadas nestes poços paradas. Ou seja, a falta de procura fez que os preços destes equipamentos descessem substancialmente, disse, por sua vez, o administrador financeiro da Galp, Filipe Silva.

Contas feitas, quando um poço destes podia custar, por exemplo, há um ano, cerca de 100 milhões de dólares (89,8 milhões de euros), agora custará 23 milhões (20,6 milhões de euros) - porque as sondas passaram de 500 mil (449 mil euros) para 300 mil dólares (269 mil euros) por dia e porque só são precisos 45 dias e não os 100 anteriores, disse Gomes da Silva.

Ora, como o nome indica, este é um poço exploratório para saber se há petróleo. Se for descoberto crude suficiente só aí é que este poço passa a produtor. Nessa altura serão necessários ainda mais poços, neste caso injetores, ou seja, aqueles onde se injeta água para ajudar depois o petróleo preso no fundo do mar a subir.

Investimento desce

As sondas que vão ser usadas em Sines são as mesmas usadas no Brasil, onde a Galp vai investir a maior parte do seu capital e é esta eficiência de custos que ajuda a perceber porque é que a empresa vai investir menos nos próximos anos.

Segundo o plano apresentado ontem em Londres, serão investidos entre mil e 1,2 mil milhões de euros por ano entre 2016 e 2020, menos 15% que no plano anterior. No total, serão 5,5 mil milhões em cinco anos, valor que compara com os 6,5 mil milhões apresentados o ano passado na mesma ocasião.

Nesse plano estratégico para 2015-2019, a empresa estimava aplicar entre 1,2 e 1,4 mil milhões de euros por ano, o que já representava um corte de 20% face ao plano de 2014.

Para 2016, "o ano em que o investimento no Brasil e Angola atingirá o valor mais elevado", a Galp quer investir entre 1,1 e 1,3 mil milhões de euros. Ou seja, o mesmo que em 2015.

Segundo Carlos Gomes da Silva, os custos de produção de petróleo no Brasil estão agora nos 15 dólares por barril e, no geral de todos os projetos do grupo, os custos rondam os 20 dólares por barril. Além disso, disse ainda o CEO, o impacto da queda do preço do petróleo até afetou positivamente os projetos, porque baixou o preço das sondas. Já a crise na Petrobras - a sua parceira e principal acionista dos projetos no Brasil - não teve impacto no que está em curso.

A petrolífera antecipa, por isso mesmo, que "o ritmo de produção de petróleo e gás mantém-se em relação às metas estabelecidas no plano anterior, com uma taxa média de crescimento anual entre os 25% e os 30% para o período 2015-2020", acrescentando que este crescimento é sustentando nos projetos em operação ou já aprovados.

É também por isso que a Galp estima que o EBITDA suba cerca de 15% ao ano entre 2015 e 2020 e já considerando "um preço do barril de brent de 35 dólares em 2016 e um aumento gradual até 70 dólares por barril em 2020".

Contudo, para este ano, "é esperado que o EBITDA se situe entre 1,2 e 1,3 mil milhões de euros", ou seja, menos que os 1,5 mil milhões atingidos em 2015, mas que se explicam com um aumento das margens de refinação da Galp (a diferença entre o preço a que compram o petróleo e o preço a que vendem os combustíveis já refinados) e ao aumento da produção de crude.

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