Funeral do assaltante do BES sem palavras nem lágrimas

<b>Lisboa.</b> Nilson Souza foi ontem enterrado no Cemitério de Benfica
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Três pessoas - o irmão, a cunhada e outro indivíduo não identificado- compunham o cortejo que ontem acompanhou o funeral de Nilson Pereira de Souza, 32 anos, o brasileiro morto pela polícia durante o assalto ao BES de Campolide na quinta-feira. O féretro foi enterrado no Cemitério de Benfica sem cerimónia religiosa, sem palavras e sem lágrimas.

Não fora a presença dos jornalistas, ninguém teria percebido que ali iria ser enterrado um dos indivíduos que fez parar o País na noite de quinta-feira e que provocou uma intervenção policial nunca antes vista em Portugal. O cadáver saiu do Instituto de Medicina Legal de Lisboa por volta das 14.45. A carrinha da agência funerária da Ramada chegou a Benfica às 15.20, dirigindo-se de imediato para o talhão de terra localizado num dos cantos mais recônditos do cemitério. Pelas 15.40 já o irmão do falecido, a cunhada e o amigo estavam preparados para saírem do local. Tudo muito rápido, discreto e silencioso. Viu-se meia dúzia de pessoas naquele imenso cemitério.

Maria Manuela, cidadã portuguesa, empresária, a rondar os 30 anos, casada com Gilson, irmão de Nilson, ainda se predispôs a falar um pouco com os jornalistas, depois de alguma insistência.

Segundo a cunhada, Nilson era uma pessoa calma, tranquila, religiosa, frequentador da Igreja. "Nunca pensaríamos que cometesse um acto destes. Era alguém que nunca recorria à violência para nada. Quando falava transmitia calma e frequentava a Igreja. Não havia nada..."

Nilson era pai de três filhos. No dia do assalto ao BES, Maria Manuela e o marido, que se encontra legalizado em Portugal, viram a imagens na televisão, mas nada os fez pensar em quem estaria envolvido. Só se aperceberam no dia seguinte, quando as televisões mostraram as imagens mais em detalhe. "Pressenti que algo estava a acontecer. Telefonei para o Brasil para falar com ele. Ninguém atendeu. Falei com uma irmã que disse nada saber acerca dele. São oito irmãos a viverem a milhares de quilómetros de distância uns dos outros. Há oito meses que não falávamos com Nilson e nem sequer sabíamos que se encontrava em Portugal."

No domingo, deslocaram-se à morgue para reconhecer o corpo e só depois disso é que contactaram a Polícia Judiciária (PJ). Na segunda- -feira prestaram declarações e só na terça-feira receberam da Embaixada do Brasil as condolências e disponibilidade para algum apoio.

Maria Manuela garantiu que nunca ouvir falar de Wellington, o jovem brasileiro de 23 anos que também esteve envolvido no assalto ao BES, encontrando-se neste momento ferido no Hospital de S. José. Mas assegurou que nunca Nilson mostrou indícios de ter antecedentes criminais.

"Não, não encontro explicação. Só ele poderia explicar", disse a cunhada, acrescentando que o cadáver de Nilson vai ficar em Portugal para evitar um maior sofrimento à mãe.

Entretanto, conforme ontem noticiou o DN, a Interpol está a investigar o percurso do assaltante noutros países da Europa.

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