Um grupo de funcionários das instituições europeias anunciou esta segunda-feira ter apresentado uma queixa contra a Comissão Europeia devido à passividade com que foi encarada a ida para a Goldman Sachs do antigo presidente, o português José Manuel Durão Barroso..Segundo o Le Figaro, que cita um comunicado enviado pelo coletivo, o grupo autointitulado "EU employees" - funcionários da União Europeia em português - apresentou queixa junto do mediador europeu, uma instância independente encarregada de conduzir os inquéritos nos casos de administração dolosa no seio das instituições da União Europeia..O grupo defende que ao assumir o cargo de presidente não executivo e consultor do Goldman Sachs International, Durão Barroso "desonrou a função pública europeia e a União Europeia no seu conjunto", dado o papel que o Goldman Sachs assumiu na crise do subprime..[artigo:5481392].Avaliado pelo Comité de Ética da Comissão Europeia, o novo cargo de Barroso foi reprovado, mas o comité concluiu que não foi violada qualquer regra em vigor. Em resposta ao requerimento do atual presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que em setembro de 2016 solicitou um parecer relativamente à designação do seu antecessor para o cargo de presidente não executivo do banco de investimento norte-americano, o comité de ética considerou que José Manuel Durão Barroso "não demonstrou a sensatez que se poderia esperar de alguém que ocupou o cargo de presidente durante tantos anos", mas "não violou o seu dever de integridade e discrição".."A esta data, que tenhamos conhecimento, a Comissão não tomou uma decisão final", escreve no comunicado o grupo de funcionários que apresentou queixa e lamenta a inação de Bruxelas, pedindo que o Executivo comunitário coloque a questão Barroso ao Tribunal de Justiça da União Europeia e exigindo a suspensão da pensão de reforma a que Barroso tem direito por ter sido presidente da Comissão Europeia..O próprio Jean-Claude Juncker já veio pedir regras mais restritas para o futuro e colocou sobre a mesa o prolongamento do período durante o qual os líderes da Comissão Europeia mantêm obrigatoriedade de solicitar uma autorização ao antigo empregador para aceitar cargos em grupos privados. O período em vigor é de 18 meses e foi escrupulosamente cumprido pelo português..A ida de José Manuel Durão Barroso para a Goldman Sachs suscitou muitas críticas, incluindo de líderes europeus como o presidente francês, François Hollande, e uma petição impulsionada por funcionários das instituições europeias, que reuniu mais de 150 mil assinaturas, a reclamar "medidas fortes" para pôr fim à chamada "porta giratória" em Bruxelas - a passagem de antigos comissários para cargos no setor privado que coloquem em causa a reputação das instituições da UE.