Fraca adesão em protesto da Fenprof e Intersindical

O protesto da Federação Nacional dos Professores e da CGTP-Intersindical juntou hoje cerca de cinquenta professores descontentes com o panorama de desemprego no sector, uma mobilização fraca que os sindicatos atribuem ao desânimo na classe.
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"Não queremos escamotear que, face a um elevado número de desempregados, de facto está aqui pouca gente", admitiu em declarações aos jornalistas no largo Luís de Camões a sindicalista Anabela Delgado, da Fenprof.

Anabela Delgado considerou que "o discurso sistemático da crise e a mensagem que se quer fazer passar de inevitabilidade das medidas levam as pessoas a desmoralizar e a desmobilizar".

Rogério Ramos, um professor de Geografia que este ano não conseguiu colocação, afirmou à Agência Lusa que os protestos nunca serão tão eficazes como podiam ser enquanto se "continuar a ir a reboque dos sindicatos e a população não se unir para protestar e ter consciência dos ataques aos seus direitos".

"Este não é só um protesto sectorial. A população deve estar unida, não têm que ser só os professores a lutar contra as medidas do Governo. Existe dinheiro para tudo, para comprar submarinos, ajudar os bancos, mas não existe para manter as pessoas a estudar, promove-se a ignorância", lamentou.

Para Rogério Ramos, professor há três anos, os docentes são "tratados como lixo".

"É difícil manter o ânimo. Na escola onde estive, na Amadora, criei algum projecto, que foi aprovado pela Câmara Municipal e depois o que fazem de nós é mandar-nos embora no final do ano. É desumano, injusto e incorrecto", argumentou.

A alternativa passa agora por "continuar a concorrer, ficar no desemprego pelo menos este mês e depois sair do país ou criar o próprio emprego", disse.

Andrea Merendas, professora de Artes Visuais e filiada no Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, disse à Lusa que nem teve direito a entrar no concurso para professores contratados porque não é profissionalizada.

Por não ter uma licenciatura de ensino, que para a sua área não existe para leccionar a partir do sétimo ano, Andrea Merendas está dependente da oferta de escola, com contratos parciais, mas que está dependente de "critérios muito diferentes de escola para escola".

"Não nos querem deixar entrar no sistema, o máximo que fazem são contratos até ao fim de Julho e com isso perdem os professores, os alunos e as escolas, porque sofre a qualidade do ensino", apontou.

Andrea Merendas referiu que "há pessoas que estão assim há 15 anos, sempre em escolas diferentes, a leccionar matérias diferentes".

Para descobrir as ofertas de escola é outra dor de cabeça: "Na internet estão listadas milhares de ofertas mas sem possibilidade de filtrar áreas ou mesmo datas", o que implica que "é preciso perder um dia inteiro para tentar descobrir alguma coisa", referiu.

A Fenprof e a Intersindical reuniram nas últimas semanas "perto de três mil postais" contra os despedimentos e a precariedade que entregaram hoje no Ministério da Economia.

João Barreiros, da Interjovem, dizia aos jornalistas que, devido à "desregulamentação de horários, muitos não podem sair do local de trabalho e vir" ao protesto de hoje.

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