A Bélgica tirou ontem o travão que bloqueava o acordo de comércio global entre a União Europeia e o Canadá (CETA). Ao fim de sete anos de negociações, as divisões políticas entre o Norte e o Sul do país foram levadas até ao limite e quase boicotaram um acordo que é bem visto pelos outros 27 Estados membros e pelo Canadá. Mas o governo belga conseguiu finalmente apresentar uma posição comum que agrada tanto a flamengos como a valões..A notícia foi bem recebida nas instituições europeias. O presidente do Conselho Europeu, o polaco Donald Tusk, foi rápido a congratular-se com as "boas notícias do primeiro-ministro belga Charles Michel".."Apenas um de todos os procedimentos está concluído, para que a UE assine o CETA", escreveu Tusk numa mensagem divulgada através da rede social Twitter, na qual informou que iria "contactar o primeiro-ministro [canadiano], Justin Trudeau", tendo como finalidade marcar uma cimeira, para que o acordo seja celebrado..Uma cimeira chegou a estar marcada para ontem e assim continuou, mesmo quando já nada fazia prever que a reunião magna fosse possível. Foi desconvocada já quando o comité de concertação belga fazia uma derradeira tentativa para que fosse encontrada uma solução..O primeiro-ministro belga destacou a importância do CETA, que dará "um lucro bruto de 12 mil milhões de euros para a Europa", permitindo à Bélgica "manter a credibilidade na cena internacional", ao levantar os entraves que colocava..O governo valão, representativo de pouco mais de quatro milhões de belgas francófonos, punha em causa o acordo, que pretende eliminar 98% das tarifas comerciais entre UE e Canadá. O acordo é válido para 500 milhões de pessoas só do lado europeu. Mas os valões, cujo ministro-presidente é Paul Magnette, opunham-se a ele nomeadamente por prever que as empresas possam apresentar queixa contra um Estado em que, do ponto de vista de uma multinacional, por exemplo, as leis ponham em causa os interesses comerciais dessa empresa..Do lado da Comissão Europeia, o porta-voz Margaritis Schinas desvalorizou o atraso na celebração do acordo, dizendo que "o que importa não é quando o acordo acontece, mas o facto de que acontece e vai acontecer"..O primeiro-ministro belga não revelou que contrapartidas foram dadas aos valões para aceitarem os termos do acordo, embora tenha dito que, "sem alterar o tratado" que será assinado entre a Europa e o Canadá, tenha sido subscrito "um instrumento de análise" para que a Valónia e a Flandres "partilhem a mesma interpretação"..Bruxelas também não revelou que contrapartidas dará à região francófona da Bélgica para levantar os entraves, dando a entender que não haverá dinheiro europeu implicado, uma vez que as verbas destinadas a cada país são definidas pelo "quadro financeiro plurianual", que ficou fechado em 2014. O porta-voz disse que foi o trabalho político intenso da própria Comissão Europeia a permitir este desfecho positivo..Em Bruxelas