Fim da publicidade na RTP contraria plano de sustentabilidade do canal

A decisão do fim da publicidade no canal da RTP que não for alienado hoje anunciada contraria o plano de sustentabilidade financeira do grupo de comunicação social pública, que foi aprovado pelo ministro da tutela há quase um mês.
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O ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, anunciou hoje que o canal remanescente irá ficar sem "publicidade comercial", a partir do momento que o novo operador que comprar o outro canal generalista entrar em funcionamento. De acordo com o plano de sustentabilidade financeira da RTP, aprovado pelo ministro da tutela e apresentado pelo presidente do conselho de administração da empresa pública, Guilherme Costa, há menos de um mês, a 24 de Outubro, a alienação do canal terá lugar em 2012.

Assim, a partir de 2013, o canal de televisão da RTP deixará de ter publicidade, caso os prazos sejam cumpridos. A decisão de acabar com a publicidade comercial - o que deixa em aberto a publicidade institucional, modelo seguido pela RTP2 - contraria o plano de sustentabilidade financeira desenhado por Guilherme Costa, cuja proposta de manutenção foi contestada pelos operadores privados, que previram uma "catástrofe" para o setor de 'media' em Portugal.

Na apresentação do plano, em outubro, o presidente da RTP apontou como objetivo a redução "muito substancial de custos", da ordem dos 80 milhões de euros, de modo a que os custos operacionais se fixem em cerca de 180 milhões. Para equilibrar as contas, segundo Guilherme Costa, será necessário obter proveitos comerciais, sobretudo publicidade, na ordem dos 30 milhões de euros, o que permite reduzir para 150 milhões de euros os fundos públicos necessários para cobertura daqueles custos, acrescidos de 10 milhões de euros para obrigações específicas.

"O esforço que é pedido à empresa para reduzir os custos do Estado teria muito pouco significado se a RTP tivesse de abdicar não só de qualquer coisa como 80 milhões de euros de fundos correntes e ao mesmo tempo tivesse de abdicar da grande maioria das suas receitas publicitárias", afirmou Guilherme Costa, durante a apresentação do plano. "Isso seria absolutamente insustentável, não permitiria calibrar a defesa da marca RTP e da relevância do serviço público", salientou na altura.

Mais recentemente, numa audição no parlamento, a 09 de novembro, o gestor lembrou que se se impedir a RTP de ter publicidade, o esforço orçamental terá de ser maior. "Há aqui 30 milhões de euros [de proveitos comerciais, sendo uma parte publicidade] que não acrescem ao esforço do Estado", sublinhou. Nesta audição, Guilherme Costa lembrou que em 2008, quando assumiu a gestão da RTP, encomendou um estudo que apontou que, se a empresa estivesse nas mesmas condições de mercado que os privados, os proveitos comerciais seriam de 114 milhões de euros, ou seja, metade daquilo que recebe de fundos públicos.

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