Filho e neto de jornalistas

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José Sobral de Almada Negreiros nasceu na Ilha de São Tomé a 7 de Abril de 1893. Passou os primeiros anos em São Tomé, de onde era originária a sua mãe, Elvira Freire Sobral, e onde o pai, António Lobo de Almada Negreiros, foi administrador do Concelho.

Aos seis anos foi internado no Colégio de Campolide, em Lisboa, onde esteve com seu único irmão, António, até à expulsão dos jesuítas em 1910. Ingressou no ano seguinte na Escola Internacional de Lisboa, onde começou a expor obras suas de desenho e caricatura, lançando-se a partir daí numa carreira multifacetada de pintor, escritor, coreógrafo, bailarino, dramaturgo, poeta, ensaísta e romancista, de imenso sucesso.

Viveu em Paris (1919-1920) e em Madrid (1927-1932), tendo casado em 1934 em Lisboa com a pintora Sarah Afonso, de quem teve dois filhos.

Morou nesta cidade até morrer, em 1970.

Além de colonialista, o seu pai foi jornalista e diplomata, tendo sido vice-cônsul de Portugal em Paris, onde se fixou após a morte da sua mulher, em 1896.

Era natural de Aljustrel, filho de Pedro de Almada Pereira, proprietário e jornalista, nascido em Vila Nova de Mil Fontes, que casou com Margarida Francisca Camacho de Negreiros, filha de António Lobo Camacho, proprietário de Aljustrel, e de Ana Isabel Bravo de Negreiros, de Serpa, descendente de uma família nobre daquela vila alentejana.

A família Lobo Camacho tinha raízes em Aljustrel e na Messejana. Foram bisavós paternos do pintor Tomé José Valério, de Vila Nova de Milfontes, e Maria Amância de Almada, natural da Messejana.

Esta senhora era filha de António de Almada Pereira, tenente de granadeiros e vereador da Câmara de Messejana, e Maria Vitória de Almeida Pinto, de Viana do Alentejo.

António de Almada era filho do capitão de ordenanças Marcos Alberto Palma, filho de Domingos Ribeiro Palma, rico proprietário, vereador da Câmara da Messejana, administrador do concelho, e irmão do Dr. António Bernardo Palma, formado em Leis em Coimbra, provedor e corregedor de Beja, superintendente dos Tabacos no Alentejo, contador da Fazenda Real e mamposteiro-mor dos cativos em Beja, e de sua mulher Feliciana de Medrano Guivarra, da Messejana. Era esta filha de António de Almada Pereira, de Azeitão, e neta de José de Almada Pereira, de Lisboa, onde casou com Sebastiana de Medrano Guivarra de Macedo.

A mãe do pintor, Elvira Freire Sobral, era filha de Leopoldina Amélia de Azevedo, angolana, que viveu na ilha de São Tomé com José António Freire Sobral, de quem teve vários naturais.

Este era um rico fazendeiro, exportador de cacau, café e madeiras, proprietário das roças Santa Maria e Saudade, onde nasceria o pintor, seu neto, de quem foi padrinho.

José Sobral era natural de Santo Quintino, no Sobral de Monte Agraço, e casou com Mariana Emília de Sousa, de quem não teve filhos.

Esta senhora, a quem Almada Negreiros chamava avó, foi uma figura fundamental da sua infância, com quem se correspondia regularmente e em casa de quem passava as férias, em São Tomé.

A sua avó biológica, Leopoldina de Azevedo, era filha de Manuel de Azevedo Pereira, natural de Santarém, e de Luzia, africana, nascida em Benguela. |

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