Festival lança antologia de contos de ficção científica

"Antologia de ficção científica -- Fantasporto", lançado durante o festival de cinema que decorre no Porto, é o título de um livro que reúne 17 histórias e que o organizador Rogério Ribeiro entende como "uma mostra do que pode ser o género em Portugal".
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A edição de originais de ficção científica "é tão pouca", segundo Rogério Ribeiro, que este livro, que resulta de um concurso com 100 participações e de vários convites feitos a escritores, é mais um "exemplo" do que poderia ser este género literário em português.

O livro tem edição da Asa, na coleção "1001 Mundos".

Alguns dos escritores convidados "nunca tinham escrito ficção científica", mas Rogério Ribeiro, que é também organizador do Fórum Fantástico de Lisboa, das Conversas Imaginárias e membro do júri do Shortcutz, "já lhes conhecia algumas coisas relacionadas com literatura fantástica, eram pessoas com alguma disponibilidade para dar largas à imaginação e escreviam bem".

A estes autores, como António Macedo, Beatriz Pacheco-Pereira, Afonso Cruz ou Bruno Martins Soares, é preciso juntar os seis selecionados do concurso que incluiu participações de Portugal, Espanha, Brasil e Moçambique.

O vencedor foi António Carloto, que conta a história de uma alforreca colorida, com estranhos poderes, que surge nas traseiras de um quintal bem português.

Para Rogério Ribeiro, "a literatura de ficção científica tem estado relativamente bem de saúde, pelo menos em termos de qualidade, já que em termos de vendas é completamente ofuscada por esta vaga da literatura de fantasia".

A rivalidade entre os amantes de Harry Potter ou da Guerra das Estrelas é motivo de muitas caricaturas mas, para o organizador da antologia, convivem muito bem entre si.

"Em Portugal, é que praticamente não se publica ficção científica e do que se publica praticamente nada é recente. Continua-se a ir buscar aos clássicos dos anos 1950, 60, 70... e raramente, muito raramente, se vê publicar cá as obras de qualidade que estão a sair no mercado anglo-saxónico", afirma ainda.

Para o organizador, "provavelmente a ficção científica teve os tempos de ouro na altura em que os miúdos olhavam para a própria exploração espacial como o melhor para dar asas à sua imaginação, mas é óbvio que essa exploração hoje praticamente morreu".

"Agora, a imaginação é mais virada para a fantasia", diz.

Entre os próprios escritores mais relevantes da atualidade, segundo Rogério Ribeiro, "há uma grande nostalgia" e muitos deles "fazem um tratamento atual para aquele tipo de ficção científica dos anos 1950, da 'space opera', agora com muitas preocupações atuais e com um tom muito mais realista, um bocadinho mais pessimista, talvez".

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