Eventual regresso de Passos seria mau para o país e partido

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O regresso de Passos à liderança do PSD, de que tanto se fala, seria mau para o país e partido. A vocação política do PSD - foi sempre uma máquina trituradora de líderes - era cumprida, mas os ganhos políticos de uma eventual mudança na liderança dos ditos sociais-democratas seriam nulos.

Passos pode ter boa imagem na direita mais conservadora, mesmo radical, só que no país não tem. E explico porquê: os cortes que fez nas pensões e salários, em quase quatro milhões de potenciais votantes, impopularizaram-no aos olhos da opinião pública, e este handicap eleitoral penalizaria fortemente o PSD, muito mais do que com Rui Rio, que até teve o cuidado de se demarcar da austeridade de Passos, dizendo que faria de maneira diferente.

Portugal era uma colónia da Alemanha, tal a submissão a Merkel. Quando esta dizia mata, Passos dizia esfola. Não creio que os portugueses desejem voltar à 'Idade das Trevas', como ficou conhecido o consulado do ex-primeiro-ministro do PSD.

Acresce que os cortes foram ainda na Saúde e Educação, deixando o Serviço Nacional de Saúde quase de rastos, com as urgências hospitalares em estado caótico. A abolição dos feriados afectou-lhe a imagem, de igual modo.

O país ficaria sempre a perder, pois o diálogo com o PS voltava à estaca zero. Recordo-me de António Costa criticar fortemente Passos Coelho por não querer dialogar, e de se ter aberto uma janela de esperança, como se diz agora, quando o PSD passou para as mãos de Rui Rio.

Por muitos erros que este cometa - não se compreende, por exemplo, que queira viabilizar Orçamentos do PS e depois faça acordos com o Chega - nada justifica, para já, nova liderança do PSD e, para mais, a de Passos. O partido de Sá Carneiro tem de optar pela estabilidade, dando tempo aos seus líderes para se afirmarem politicamente. Trocar Rio por Passos, ou por qualquer outro, seria uma jogada absurda e suicida, à boa maneira dos chamados 'barões' do PSD, que tanto mal têm feito ao partido.

Costuma-se dizer, neste país, que é melhor ser ex-ministro do que ministro. Tal, porém, não se aplica, seguramente, ao PSD, onde não é melhor ser ex-líder do que líder. A avaliar pelo que dizem Passos, Cavaco, Marques Mendes e até Marcelo, é preferível ser Rui Rio 'tout-court'. E a máquina trituradora de líderes tem de deixar de estar ligada. Os passistas que se passem!

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