Passos Coelho

Sebastião Bugalho

Passos, Montenegro, a eutanásia e um erro

Terá sido certamente irresistível e não necessariamente acertado. A resposta de Luís Montenegro a Pedro Passos Coelho acerca da eutanásia ("Sou muito direto. Discordo completamente da posição do dr. Pedro Passos Coelho") denunciou um desconforto pouco discreto do líder do PSD em relação ao seu antecessor politicamente mais próximo. Uma subtil tentativa de emancipação - com respeito, mas defendendo o valor democrático do referendo - seria compreensível. Uma veemente divergência de Passos Coelho ("A sua posição é muito fechada") como a manifestada por Montenegro trata-se, numa palavra, de um erro. Muito diretamente: não ganhou absolutamente nada com isso. Não só por Passos não ter dado qualquer sinal de almejar um regresso ao PSD (ou sequer à política), como pelo apoio público que o ex-primeiro-ministro concedeu à atual direção do partido, aceitando participar na reunião do Pontal, entre outros. Ademais, estando Montenegro determinado em expor uma realidade - em Portugal, há mais líderes políticos com dúvidas do que com certezas sobre a eutanásia -, a sua cabal discordância do artigo de Passos Coelho acabou por ser, no fundo, a sua única opinião definitiva no debate em curso. Talvez a despropósito, opôs-se mais a Passos, que tem convicções, do que ao seu adversário, António Costa, cujas hesitações sobre a matéria são conhecidas.

Paulo Baldaia

Deixar o poder cair de podre

A evidência de que Marcelo Rebelo de Sousa elogiou Pedro Passos Coelho para que se deixasse de falar dele e do abuso sexual de menores na Igreja não esconde outra evidência, a de que Marcelo vive no pesadelo de deixar Belém com a sua família política afastada do poder e sem perspetivas de lá chegar. A melhor maneira de atingir esse objetivo não é, no entanto, disparatar a despropósito elogios ao "sempre primeiro-ministro" como quem está a escolher um sucessor.

Entrevista a Carlos Carreiras

“No dia que Passos Coelho considere voltar estarei na primeira fila”

A Câmara de Cascais distingue-se pelas medidas de combate à covid-19, mas Carlos Carreiras garante que não é um campeonato. Candidato ao seu último mandato, o social-democrata parte com a certeza de que a maioria dos eleitores tem sobre ele opinião positiva. Positiva é também a avaliação que faz da gestão da pandemia pelo governo até agora.