Esvaziar Guantánamo e proteger o ambiente: o legado final de Obama

Presidente tenta garantir que quando tomar posse, a 20 de janeiro, Trump não vai reverter as suas principais decisões.
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Fechar Guantánamo foi a primeira promessa de Barack Obama quando em janeiro de 2009 tomou posse como presidente dos EUA. Mas, passados oito anos, 59 suspeitos de terrorismo continuam detidos na base americana em Cuba. Um número que deverá ser ainda mais baixo a 20 de janeiro, quando o 44.º presidente deixar a Casa Branca, se se confirmar a transferência para países como Itália, Omã, Arábia Saudita ou Emirados Árabes Unidos de 17 ou 18 prisioneiros, dos 22 cuja libertação foi autorizada.

Quando chegou ao poder, Obama herdou 242 detidos ainda em Guantánamo. Na impossibilidade de fechar a prisão sem o acordo de um Congresso dominado nos últimos anos pelos republicanos, o presidente foi transferindo os prisioneiros, dois dos quais vieram para Portugal. A pressa de Obama em transferir os detidos prende-se talvez com as declarações de Donald Trump durante a campanha para as presidenciais, quando o candidato republicano prometeu não só manter Guantánamo aberta como enchê-la de "tipos maus".

Mas esvaziar ao máximo Guantánamo não é o único legado de última hora que Obama está a tentar deixar antes de dar o lugar a Donald Trump. Ontem o presidente proibiu de forma definitiva qualquer nova exploração de gás ou petróleo em águas federais nos oceanos Atlântico e Ártico. Para isso, o presidente recorreu a uma lei dos anos 50 que permite aos presidentes limitar as áreas de exploração petrolífera ou mineração. Uma medida que obrigaria a administração Trump, caso quisesse reverter a decisão, a ir a tribunal.

Ora, o presidente eleito prometeu expandir a exploração de gás e petróleo offshore. Mas a verdade é que as próprias empresas do setor não parecem muito entusiasmadas com a possibilidade de explorar petróleo ao largo, uma vez que é muito mais caro do que apostar nas abundantes reservas ainda disponíveis no Texas ou no Dakota do Norte.

A decisão de Obama foi tomada em parceria com o primeiro-ministro do Canadá. Justin Trudeau garantiu que os dois países vão tomar "medidas que garantam uma economia e um ecossistema fortes, sustentáveis e viáveis no Ártico". Já a Casa Branca alertou para os riscos ambientais que um derrame de crude numa zona tão árida poderia ter.

De férias no Havai, Obama reduziu nesta semana as penas a 153 detidos por crimes menores e perdoou 78. O presidente está a usar os últimos dias no cargo para garantir que o sucessor não reverterá as suas principais decisões. Enquanto algumas dessas medidas serão difíceis de desfazer, em termos ambientais, de política externa e de justiça, muitas das últimas decisões foram por decreto presidencial. Facilmente anuláveis pelo novo inquilino da Casa Branca. Uma realidade que, segundo o historiador presidencial de Princeton Julian Zelizer, está a deixar Obama "extraordinariamente frustrado".

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