Lumiar, ano de 1957. Após uma primeira experiência televisiva no espaço da antiga Feira Popular (a funcionar onde é hoje a Gulbenkian, no centro de Lisboa), o formato de emissões diárias da RTP resultou no aluguer e na passagem para um estúdio maior, no Lumiar. Daí iam para o ar todos os programas do operador de serviço público. O espaço crescia e ganhava força na condição de ser temporário e provisório..Lumiar, Março de 2007. Passados 50 anos sobre a data da estreia naquelas instalações, o tempo deu provas de ser irreverente: o que era suposto ser um estúdio provisório multiplicou-se noutros estúdios; em 1977 a RTP comprou o lugar e continuou a pensar em expansão. Escreveu-se então um novo capítulo da história, a somar episódios e protagonistas. Agora, é a despedida que se consuma, definitiva, ditada por instalações mais recentes e tecnologia de ponta.."Durante décadas foi esta a primeira fábrica de sonhos da TV em Portugal, a acumular momentos e memórias", considera o director de programas da RTP, Nuno Santos dirigindo uma palavra de apreço ao muito que se fez no Lumiar. Acima de tudo, diz, fica a confiança no que se segue: "Este é um ciclo que se fecha, sim. Mas para dar lugar a outro.".Nos estúdios do Lumiar viveram-se etapas decisivas para a televisão e o País: o modo de tratar a informação e o lazer desenvolveram-se, surgiram os primeiros festivais da canção, o teatro começou a ser transmitido em directo. Ao mesmo tempo, nomes como os de Fialho Gouveia, Carlos Cruz, Joaquim Furtado, Simone de Oliveira, Tonicha, Raul Solnado e tantos outros veteranos celebrizavam-se junto do público, colando o seu rosto à imagem da estação..No sábado passado, a emissão de E depois do Adeus - precisamente a partir dos estúdios do Lumiar - deu conta destes traços da história, revendo as figuras do passado à luz do presente. Conduzido por Júlio Isidro e Tânia Ribas de Oliveira, o programa recuou no tempo, viajou, (re)visitou. No fim, despediu-se com pompa do mítico lugar de partida, à beira do fim. "Foi a homenagem devida", conclui Nuno Santos.