Entrevista Cuca Roseta

A voz de Cuca Roseta era conhecida, primeiro no timbre <i>pop</i> dos Toranja, mais tarde, e nos últimos anos, das noites de antologia no Clube de Fado. A fadista estreia-se agora em disco - de fado com um <i>twist</i> - orquestrado pelo produtor argentino Gustavo Santaolalla (premiado por Hollywood pelos filmes Babel e Brokeback Mountain). O resultado é uma história de amor musical.
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_Como é que uma psicóloga chega ao diagnóstico de que precisa do fado para a vida?

Nunca me pus essa questão, pelo menos dessa maneira. Só achei que era suposto ser fadista há pouco tempo. Fui descobrindo. É uma questão de juntar os pontos e pensar «acho que nasci mesmo para isto». Já cantava, mas nunca o tinha encarado nada como um dom, uma missão, até começar a cantar fado. Tem tudo que ver com a força de comunicar as emoções. E depois, adoro viajar, adoro antropologia, e o fado é uma música universal.

_E está muito perto de ver reconhecido o seu estatuto de Património Imaterial da Humanidade. Quando fala em missão fala numa espécie de embaixada cultural?

Sim. Qualquer fadista é um embaixador. Está a levar a sua cultura ao mundo. Dentro de cada fado, ou de cada escolha poética, tem de haver uma coisa que nos diga muito. Quando um estrangeiro ouve um fado pode não entender a melodia, mas raramente lhe escapa a emoção. Isso da língua de um país tão pequeno tocar o mundo inteiro é extraordinário. Muitos estrangeiros no Clube de Fado dizem-me «adorava saber o que está a dizer». Costumam acertar quando dizem que estou a contar uma coisa triste ou alegre. O fadista também é um contador de histórias.

_Se não canta sente-se mal?

Sim. É o único género de música que me dá essa emoção. Se estiver uma semana sem cantar fico alterada. Há seis anos que canto no Clube de Fado quatro vezes por semana, e por vezes sinto-me cansada. Mas se fico três dias sem lá ir sinto uma espécie de falta de ar. É a necessidade de ter aquele momento, que tem um ritual. Não é chegar e cantar como fiz em tempos quando cantava em bares ou com os Toranja. É uma coisa íntima, como contar um segredo. Mesmo que não esteja com o mood tenho que o ir buscar. É como meditar.

_Nos tempos dos Toranja não se sentia a cantar de corpo inteiro?

Gostava de cantar mas era apenas um hobby. Cantei em bares durante um ano, e houve quem me incentivasse a gravar um disco, mas nessa altura eu queria ser psicóloga. Só mudei de opinião quando comecei a cantar fado.

_Cantar fado ultrapassa o entendimento ou há uma definição possível?

Fado, para mim, é cantar a minha verdade. Em mim, a verdade sai-me inevitavelmente pela voz. Quando canto estou a contar uma história e estou ligada às minhas emoções, que são tantas e tão dispersas.

_Na hora de escolher os fados há uma escolha das histórias que melhor contem as emoções do dia?

Há fados que canto sempre, e a maioria tem que ver com coisas que já vivi. Se as palavras não me disserem nada não consigo cantá-los. Há alturas em que cantar um determinado fado se torna uma obsessão, um vício. Por exemplo, Amor Sou Tua (cantado por Amália Rodrigues). O fado é muito giro porque para começares a cantar um fado a sério precisas de cantá-lo umas vinte vezes ou mais. Para começares a dizer as palavras sentidas. Aprendi isto por mim. Há quem diga que não se deve gravar fados com letras novas sem as passar. Gravei uma música neste disco nessas condições e nota-se a diferença na entrega. Esse salto só se dá quando já não estou a declamar a poesia, mas a pensar e a sentir onde é que a letra me leva à minha vida. Ou seja, se já estás no campo das emoções.

_Além da verdade, a palavra que mais vezes repete para justificar estar hoje aqui é destino. É como se sempre que o contrariasse, alguém, Deus, um ente superior, lhe viesse ao caminho e dissesse «esquece tudo o resto, isto é o teu caminho, este é o teu plano para a vida»?

Agora digo que sim, mas durante muito tempo, embora já cantasse, não lhe dei importância e andei a evitar esse confronto comigo.

_Ainda é prematuro perguntar-lhe se teve algum momento decisivo na vida?

Houve, mas não posso contar (risos). Foi uma «coisa» com o meu produtor. Não veio da melhor forma e até me entristeceu na altura porque foi dita com alguma brutalidade, mas depois pensei: «Bolas, se eu estou a fazer isto é porque é mesmo o meu caminho.» Mas seja esse momento ou outro, tudo o que tem de ser acaba por acontecer.

_A palavra fé também entra no seu ADN de fadista?

Entra.

_Há um lado religioso no seu canto?

Sim.

_E reza?

Rezo. Medito. Faço tudo o que esteja ligado a Deus ou à natureza. O fado, em mim, é uma espécie de oração partilhada.

_Não tem antecedentes fadistas nem ligações anteriores ao fado antes dos 18 anos.

Só comecei a ouvir fado aos 19 anos. Em casa, os meus pais ouviam sobretudo música clássica, e eu pop e rock, ou seja, música normal (risos). De repente, o fado apareceu-me. Foi uma coisa do género da revelação. É uma música inacreditável, de relação directa com a vida. Requer um ambiente, um silêncio. Nisso aproxima-se da música clássica.

_Já lhe aconteceu ser incapaz de cantar?

Não, mas já me aconteceu bloquear e não conseguir entrar na bolha, no mood. Por exemplo, custa-me horrores estar a morrer de sono, ter o corpo adormecido, e ter de cantar. Mas o fado nunca sai bem se não estiveres no mood. É uma música muito sincera, ou que puxa muito pela sinceridade. Pode escolher-se várias vias, desde os que cantam mas são sobretudo declamadores, aos que jogam tudo, jogam a vida cada vez que abrem a boca, que é o meu caso.

_Foi a palavra ou a sonoridade da guitarra a chamarem por si?

A guitarra está sempre presente. No princípio ocorria-me que cantar fado é como aprender a guiar. Antes de poder controlar o carro é preciso aprender cinco coisas que depois, uma vez automatizadas, se farão ao mesmo tempo, sem pensar. No fado acontece haver momentos que a pessoa só se segue pela música, outras só pelo poema, outras só pela voz e a afinação. Por exemplo, penso: agora vou fazer coisas bonitas com a voz e de repente acabo por entrar mais e mais dentro do poema. Mas a experiência é o mais importante, é o que dá travo à voz.

_E o que é isso de ser fadista?

Para mim, é declamação de poesia e um compromisso com a verdade. E para chegar aí é preciso ter vivido.

_As histórias do fado são trágicas ou tragicómicas?

Essa pergunta é muito gira. Acho que as histórias que o fado conta são as histórias da vida. No meu caso o que mais se aproxima da minha história de vida pode ser o Vivendo sem Mim.

_E neste disco em particular?

Há várias e não se repetem. Mas acho que é demasiado íntimo contar publicamente o que está por detrás das histórias. [risos]

_Mas quem assume um compromisso público com a verdade não se importará de fazer um desnudamento, certo?

O giro do fado, e de cantar o fado, é que é como se se tivesse um resguardo de intimidade mas se contasse ao mesmo tempo um segredo. Passamos emoções para quem ouve, quem ouve sente-as, mas transporta-as para as suas próprias emoções. Há sempre um segredo de um lado e de outro. Por mais que se queira passar as emoções, elas continuam a ser individuais e profundas. O fado é a ponte.

_Há um renovar de pele diferente nas casas de fados do dos palcos ou há um dar tudo por tudo em qualquer chão que pise?

Há no fado quem veja grandes diferenças entre o palco, o estúdio, lugares de grande solidão, e prefira as casas de fado. Eu prefiro mil vezes cantar num palco. Não preciso do ritual das mesinhas com velinhas. Posso criar esse ambiente em qualquer lado. Basta-me o silêncio. E as pessoas têm de estar predispostas para as emoções. O resto és tu que crias. Depois, e isto pode parecer uma loucura, imagino-nos todos como plantas ou animais unidos pelo som. A língua deixa de interessar e contam apenas as emoções, que são universais. Aí é que entra a minha verdade, porque as emoções fingidas matam o fado.

_Já sentiu que o lado mercantil, industrial, a pressão da carreira, lhe pode roubar a espontaneidade de cantar por que tanto se bate?

Faz-me um bocado de medo, pela grande responsabilidade. É inevitável pensar se vou conseguir, se não vou falhar. Sei que o Gustavo Santaolalla me vai pôr a cantar em lugares muito bons e isso impressiona. Mas a única coisa que tenho de fazer é cantar. E isso acho que sei.

_O Gustavo vai ser o seu manager internacional?

Não lhe chamaria assim, mas ele já sabe os países onde me vai distribuir. Haverá tournées na Europa, EUA, América Latina. Vou-as fazer, só não tenho ainda o mapa de trabalho.

_A escolha de um disco essencialmente de fados tradicionais foi uma forma de se demarcar, já que a maioria das fadistas consagradas tem feito concessões a outras sonoridades?

Acho que o meu disco é purista no sentido de ter apenas guitarra portuguesa, viola e, no limite, um contrabaixo. Há apenas uma música com violino, mas que não foge ao tradicional. Nas palavras do Gustavo, este é um disco de fado tradicional, com as raízes mas com qualquer coisa de novo.

_É possível cantar noutra língua com as mesmas emoções, ou é preciso ser bilingue, ou bilingue de alma?

Só tens de entender as palavras, e isso implica passar a música vezes sem conta. Aconteceu-me com a Maré Viva, que gravei em castelhano. Li e cantei mais de uma centena de vezes até sentir que as palavras diziam exactamente a história que queria contar.

_Essa entrega ao Gustavo foi uma espécie de amor incondicional?

Por sorte ou felicidade, as coisas acabaram por resultar como ambos mais gostamos. Não intervim nas ditas coisas novas. Mas se não me soasse bem, não cantaria. O mesmo com os pormenores de edição, de imagem. Felizmente, somos ambos puristas e minimalistas.

_Quando é que se deu esse caso de amor musical? Foi depois da sua presença no filme Fados, de Carlos Saura?

Fui convidada na mesma semana a gravar com o Gustavo Santaolalla e a fazer o filme do Carlos Saura. O filme só foi feito seis meses depois e com o Gustavo só gravei três anos depois. O Gustavo insistiu este tempo todo, mas foi tendo mil afazeres: o CD da Nelly Furtado, dos BlackEyedPeas, as bandas-sonoras... Foi o tempo certo. Entretanto, fui mãe [tem um filho com três anos]. Tivemos também de tratar as coisas daqui para Los Angeles, o que demora sempre mais tempo.

_Como é que ele a «levou à certa» musicalmente falando?

Achei que ele tinha uma opinião diferente de toda a gente sobre a minha forma de cantar. Disse logo que queria gravar comigo e foi daí que nasceu aquilo que eu chamei de um «caso de amor musical». Temos um encaixe enorme e uma linguagem idêntica. Não se trata só de emoções. Dizia sempre ao Mário Pacheco [guitarrista e dono do Clube de Fado] que só deixaria a psicologia se me acontecesse uma grande paixão, ou que alguém me achasse, a mim e à minha voz, muito especial. Não consegues fazer nada por inteiro sem paixão. Não vou gravar por gravar. Ou com pessoas que não sentem a minha música. O Gustavo sempre que ouve a minha música chora. Nunca sonhei que houvesse uma pessoa genial capaz de se comover a este ponto com o meu trabalho. Mas tinha a certeza de que se não houvesse alguém de facto apaixonado pelo meu trabalho nunca iria pensar no fado como uma carreira. Ficaria muito bem pela psicologia.

_Haver um produtor do calibre do Santaolalla foi um presente dos deuses?

Foi [risos]. Fez-me acreditar que posso cantar para o resto da minha vida.

_A casa de fados é uma escola?

Sem dúvida, e todos os dias há novas lições. Mesmo que viaje muito a cantar em palcos, quero sempre voltar às casas de fado.

_É como um actor voltar ao palco do teatro mesmo que faça cinema ou telenovelas?

Exactamente. Vou andar a cantar em palcos, mas o palco-escola onde se aprende e reaprende tudo é na casa de fados. Tirei um curso superior em Fado. Tirei o meu curso na Faculdade durante quatro anos, aqui foram seis. Durante seis anos fui cantar cinco dias por semana a uma casa de fados.

_Acha que para se ser fadista é preciso passar pelas casas de fado?

Acho. É uma grande escola. É a improvisação, é o nervo, o medo de expor as emoções. Isso é que nos dá experiência de vida. Temos de ser duronas.

_Como é que se deve apresentar a Cuca? Uma menina da cidade, de famílias eruditas?

Sou uma rapariga nascida e criada em São João do Estoril, que é diferente de ser de Lisboa. O sítio onde eu moro é como uma aldeiazinha, com a praça, o mercado, a praia. No fundo, eu sou da praia [risos]. Nunca gostei de ir a Lisboa durante o dia. Para mim, Lisboa é à noite. É outra cidade. É a cidade ideal para o fado.

_Pode dizer-se que há famílias ou tribos de fadistas, que é um sistema de

castas?

Há fadistas, como a Carminho, por exemplo, que nasceram dentro do fado. A mãe embalava-a a cantar fados. E nisso haverá famílias.

_Ou o Ricardo Ribeiro e a Raquel Tavares que aos 18 anos já eram seniores.

Exactamente. Eu só ouvi fado a primeira vez com 19 anos. Dentro da minha casa não passava. E se ouvisse na rádio mudava.

_Quando diz que soube esperar pelo momento mais oportuno para chegar ao disco está a fazer algum statement contra esta espécie de corrida ao ouro que é hoje o fado?

Precisei de cantar para me apaixonar. Até muito tarde nunca vi no fado uma carreira. No princípio, para mim ir aos fados era um refúgio. Demorou muito a ver-me do outro lado, ou deste, neste caso. Foi na altura em que entrei nos Toranja. Ia aos fados e ficava fascinada.

_Quais são os sentimentos mais comuns quando parte para o canto? Raiva, ardor...

Essa pergunta é muito difícil. Eu diria o cansaço emocional.

_De andar muito ocupada a carregar o peso do mundo?

É mais um cansaço emocional. Tenho um lado muito frágil. Não é que os sofrimentos da minha vida sejam por aí além, mas os que tenho ganham dramatismo e chocam-me como a uma criança. Quando estou a cantar ando muito por esses sentimentos que roçam a dor.

_Indo para o território do fado tradicional, onde é que há espaço para inventar coisas novas?

Gravei um tema que acabou por não sair no disco (vai sair no iTunes) com uma letra minha sobre a base de um fado tradicional. Quando canto as minhas palavras, posso não ter escrito uma coisa muito profunda, mas sou muito mais eu, encaixam muito mais em mim. É uma sorte que eu tenho e aconselharia todas as fadistas a fazerem-no. Tive críticas quando o fiz, de que estava a armar-me em poetisa, mas a minha única intenção era contar as minhas histórias com as minhas palavras. Basta ir aos fados tradicionais mais antigos para se ver que eram histórias de gente normal, com os seus dramas e alegrias. A Amália é que trouxe grandes poetas ao fado.

_Acha que Amália, nos seus múltiplos refinamentos e reinvenções ao trazer a palavra erudita para o fado, criou uma obrigação de manter o alto nível para as gerações futuras?

Eu, pelo menos, sinto-me obrigada a ter a melhor poesia no meu trabalho, além das minhas letras que passam apenas pela minha necessidade de contar a minha história. Mas quando se entra nas palavras de uma Florbela Espanca entra-se noutra dimensão, mais existencial. Esse primeiro território do fado tradicional é muito simples, a ponto de descrever coisas do género pegar num cigarro, puxar uma cadeira.

_Todos os fadistas devem alguma coisa à Amália?

Isto pode soar um bocado mal, mas para mim a Amália é um bocado como a moda. As pessoas vão passando, as gerações vão-se sucedendo, mas a Amália nunca sai de moda. Fez que as pessoas vissem o fado como uma música moderna e antiga ao mesmo tempo. Fez que dessem valor ao fado como uma música universal. Vestiu o fado de uma maneira diferente. A partir daí chegou a todo o lado.

_Quando fala com estrangeiros, como o Santaolalla ou o Repetto, como é que eles nos vêem?

O Gustavo adora os portugueses, e sobretudo Lisboa. Diz que somos parecidos com os argentinos, que somos um povo muito afectivo e nostálgico.

_E diante de uma concorrência de fadistas consagradas e aspirantes onde quer situar-se?

Cada fadista é sempre diferente, há sempre espaço para mais um, pela sua individualidade. É só pensar em casos como no Brasil, onde é comum os cantores juntarem-se, puxarem uns pelos outros, unirem-se em nome da música. Em Portugal isto não se passa. Quando sai ou está para sair um disco fica tudo em sobressalto, mas pela negativa. Por exemplo, é raro haver mulheres fadistas a juntarem-se para fazer duetos.

Em nome da verdade

Cuca Roseta (Isabel para os amigos), 29 anos, psicóloga, fadista, estreia-se (em disco) em nome próprio, e orgulhosamente, vem contar a história «de alguém que sempre acreditou numa vontade maior do que ela». Enquanto voz conhecida na música portuguesa de outros meandros - foi vocalista dos Toranja -, acabou por encontrar no fado o seu habitat natural. Para chegar ao disco esperou apenas «o momento certo, os cúmplices perfeitos». De um encontro fortuito com o músico, compositor e produtor argentino Gustavo Santaolalla - que já conta na bagagem com dois Óscares para Melhor Banda Sonora (Babel e Brokeback Mountain) nasceu este «caso de amor musical», nas palavras da própria fadista. Santaolalla, que terá ficado deslumbrado com uma actuação de Cuca no Clube de Fado, em Alfama, reconheceu na voz da fadista essa universalidade da alma que não conhece línguas ou fronteiras. O convite foi imediato. O resultado é uma colecção de temas bem urdidos, dos mais clássicos como Rua do Capelão ou Marcha de Santo António, até aos musicados como Porque Voltas de que Lei (letra de Amália Rodrigues, com colaboração do tanguero Cristobal Repetto e do próprio Gustavo Santaolalla) ou Maré Viva (poema de Rosa Lobato de Faria vertido para castelhano). O disco vem acrescido com poemas da própria fadista como os temas Homem Português ou Nos Teus Braços. Cuca Roseta é acompanhada por Mário Pacheco na guitarra portuguesa, Pedro Pinhal na viola de fado e Rodrigo Serrão no contrabaixo, além da preciosa colaboração do guitarrista Ricardo Rocha.

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