A resposta de Filipe Soares Franco à pergunta sobre qual foi o negócio da sua vida não será a mais previsível mas é, sem dúvida, sincera. O negócio que não conseguiu fazer: a compra do controlo da Vista Alegre. .A emblemática empresa foi durante mais de cem anos um negócio da família Pinto Basto. Soares Franco, pelo lado da mãe, era um dos muitos descendentes do fundador José Ferreira Pinto Basto, que eram também accionistas. A Vista Alegre dominou a vida profissional do actual presidente da construtora OPCA durante mais de dez anos, tendo desempenhado vários cargos sobretudo na área comercial. .Nos anos 90, um grupo de accionistas opôs-se ao projecto da administração da Vista Alegre de concretizar uma fusão com a Cerexport, processo que foi parar ao tribunal. Em 1997, os accionistas acordaram realizar um leilão entre os membros da família, que se organizaram em dois grupos candidatos ao controlo da empresa. A oferta mais alta foi a do grupo liderado pelo actual presidente Bernardo Vasconcellos e Souza, que, associado à Cofina e ao BPI, acabou por ficar com o controlo da gestão da companhia, comprando a participação do outro grupo de accionistas onde estava Soares Franco, .A associação à Cofina levou a outra fusão, desta vez com a empresa de cristais Atlantis. O negócio, realizado em 2001, levou a uma reestruturação violenta do grupo, que não terá tido os melhores resultados. Em 2003, tinha havido redução de 1200 postos de trabalho e o número de unidades passou de onze para oito. .As vendas não terão correspondido às projecções do projecto de reestruturação e no ano passado a Vista Alegre Atlantis teve de negociar com os bancos credores um plano de saneamento financeiro que passou pela reconversão de dívidas em capital. Como resultado, o BPI, o BCP e a Caixa Geral de Depósitos tomaram o controlo accionista com 60% do capital. O processo foi acompanhado por uma operação-harmónio para cobertura de prejuízos de 24 milhões de euros. Bernardo Vasconcellos e Sousa, representando cerca de 10% do capital, mantém-se à frente da gestão do grupo, por indicação dos accionistas. .Hoje, ao olhar para a empresa, "sem nostalgia", Filipe Soares Franco reconhece que houve apostas da Vista Alegre que "não correram muito bem". No entanto, realça que o mercado, que conheceu bem durante anos, mudou muito. Mas, acima de tudo, sublinha: "Teria um grande desgosto se a Vista Alegre corresse mal." |