Em causa está a atividade da unidade de produção e distribuição de betão pronto ABTF - António Branco Tavares e Filhos Lda., que moradores e empresários de Ovar acusam de práticas prejudiciais ao ambiente e à saúde pública, pelo que criaram o movimento cívico "Ar Limpo" e vêm dinamizando ações de protesto apelando à desativação da fábrica..A Câmara já dera ordem de encerramento à unidade em julho de 2017, por essa ter iniciado atividade sem licenciamento para o efeito, mas a empresa instaurou uma providência cautelar para travar essa medida e o tribunal veio agora considerá-la improcedente.."Sabemos que a empresa interpôs recurso, mas o juiz diz que o recurso não tem efeitos suspensivos sobre a decisão, portanto, nessa base, a Câmara já informou a empresa de que ela tem que encerrar", declarou à Lusa o vice-presidente da autarquia, Domingos Silva..O prazo imposto pelos serviços camarários termina na próxima sexta-feira - dia em que a empresa ainda poderá funcionar - e o encerramento terá assim efeito concreto na segunda-feira - "em que já não poderá haver laboração"..Caso a ABTF não cumpra a ordem municipal aprovada pelo tribunal, Domingos Silva afirma que "a Câmara irá pelos seus próprios meios encerrar as instalações da unidade"..Generosa Silva, porta-voz do movimento "Ar Limpo" - que se opunha à atividade ilegal da empresa, criticou os estragos materiais provocados pelas suas emissões de partículas de cimento e alertou para os problemas respiratórios e oftalmológicos que essas causaram em cidadãos da comunidade - e disse que vai "esperar para ver".."Só fico satisfeita com a decisão do tribunal quando vir que ela é realmente cumprida", explicou, a propósito daquela que diz ser a mesma empresa que em 2016 viu as respetivas obras embargadas pela Câmara Municipal de Valongo, depois de se ter instalado clandestinamente numa área de reserva florestal. ."Desconfio que eles são de arranjar sempre mais estratagemas e por isso vou aguardar até à última para ver se a decisão tem mesmo efeito", acrescentou..Contactada pela Lusa a ABTF, através do telefone indicado pelo Grupo Tavares (que detém essa empresa e outros cinco centros de produção de betão nos distritos de Aveiro, Guarda, Braga e Guimarães), quem atendeu negou ter cargos de chefia, recusando-se a comentar o assunto ou a indicar um superior que o pudesse fazer..No Grupo Tavares também não esteve ninguém da administração disponível para prestar esclarecimentos sobre a situação.