"A evolução dos veículos elétricos está muito dependente da tecnologia das baterias; em termos económicos não são ainda grande opção face a outros veículos com características e desempenho semelhantes", afirmou..Pedro Marques falava à Lusa a propósito da palestra que dará hoje, no Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC), sobre a "Avaliação de Ciclo de Vida de Veículos Automóveis: Elétrico, Plug-in Elétrico Híbrido e Convencional"..Os veículos cem por cento elétricos "não são ainda competitivos em termos económicos, pois, embora o custo de utilização (horas vazio: 0,011Euro/Km; horas cheio 0,019Euro/Km) seja inferior aos veículos a gasóleo ou gasolina, o custo de aquisição dos primeiros, por quilómetro, é superior", sustenta o especialista..A análise económica foi realizada com base no método do custo anual equivalente, tendo sido considerados dois tarifários de eletricidade para o carregamento dos veículos elétricos (horas vazio, durante a noite, com tarifário mais barato, e horas cheio, mais caras) e duas taxas de atualização (cinco e dez por cento)..O custo de aquisição, "muito superior aos carros convencionais, sobretudo por causa das baterias, que chegam a custar 10 mil a 15 mil euros" é, para Pedro Marques, um ponto fraco dos carros elétricos.."Ninguém sabe muito bem quanto [tempo] as baterias vão durar", alerta o especialista, que salienta, no entanto, "que circular com um veículo elétrico significa uma redução [de custos de utilização] três vezes inferior" a um carro movido a gasolina..Tendo em conta o tarifário elétrico existente em Portugal, o carregamento das baterias durante o período de "horas vazio" compensa em larga escala (redução para metade dos custos) face às "horas cheio" (durante o dia, quando são necesárias fontes de energia fósseis, como o gás natural e o carvão).."Se carregarmos durante a noite, o desempenho [em termos de gastos de utilização] dos carros eletricos acaba por ser melhor do que os convencionais, mas se o carregamento for durante o dia, nas 'horas cheio', o desempenho é pior do que em relação aos carros convencionais, na maior parte dos casos", clarificou..A redução dos impactes ambientais e, de forma significativa, do ruído, são factores a favor dos veículos cem por cento elétricos, apontados pelo especialista do Centro para a Ecologia Ambiental da Universidade de Coimbra..Na análise das cinco categorias em termos de impacte ambiental, verifica-se que, para a gama de veículos do tipo "subcompacto", o carro cem por cento elétrico apresenta uma redução dos impactes em 19 por cento na depleção abiótica, 12 por cento na acidificação, 35 por cento no aquecimento global e 36 por cento na eutrofização, relativamente a veículos convencionais de combustão interna.