Eleitores consideram Sócrates melhor líder que Passos Coelho

O primeiro-ministro bate o adversário nas questões associadas à governação. O presidente do PSD é considerado mais simpático e honesto que o secretário-geral do PS.
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Pedro Passos Coelho é ligeiramente mais simpático que José Sócrates (31%- 30%), bem mais honesto (23%-15%)e preocupa-se um pouco mais com os problemas comuns (23%-21%). Mas o governante socialista bate o seu adversário social-democrata em vários itens fundamentais: é um líder forte, no que tem um avanço de 20 pontos percentuais (43%-23%), tem o que é preciso para ser um bom primeiro-ministro, embora pela margem mínima (26%-25%), defende as políticas sociais (26%-22%) e tem as melhores soluções para os problemas que Portugal enfrenta (25%-23%).

Embora José Sócrates seja mais associado a alguém que tem imagem, mas sem substância, do que Pedro Passos Coelho (39%-26%), o barómetro comparativo entre os dois políticos é ainda favorável ao socialista em dois aspectos importantes: tem o apoio do seu partido (31%-20%) e faz aquilo que é preciso sem ceder a pressões (42%-16%).

Comparando a percepção que os inquiridos têm das diferenças entre José Sócrates e os presidentes do PSD, conclui-se que Passos Coelho é considerado superior a Manuela Ferreira Leite na pergunta sobre as melhores soluções para os problemas que Portugal enfrenta, pois a diferença de três pontos percentuais em relação ao secretário-geral do PS é melhor que os sete da sua antecessora.

Mas quanto a uma liderança forte, Manuela Ferreira Leite perdia apenas por seis pontos para José Sócrates, enquanto o actual presidente laranja regista menos 20. A postura de Ferreira Leite também fazia disparar a ideia de que Sócrates era só imagem sem substância, valor que atingia os 55% contra os 16%, enquanto com Passos a diferença baixa para 39%, contra 26%. E se em honestidade a diferença favorável aos sociais-democratas é quase a mesma (23%-15% com Passos, 25%-14% com Ferreira Leite), a simpatia não era uma característica da antiga ministra de Cavaco Silva e de Durão Barroso, pois perdia de forma esmagadora para Sócrates (16%-55%), enquanto o actual líder do seu partido ganha ao primeiro-ministro (31%-30%).

Ambos registaram menos um ponto que o adversário em relação à questão de saber se têm o que é preciso para se ser um bom primeiro-ministro (26%-27% com Ferreira Leite, 25%-26% com Passos Coelho). E sublinhando a tese de que o actual presidente do PSD é mais liberal do que a sua antecessora, a sua diferença para o adversário no que respeita à defesa das políticas sociais é de quatro pontos (22%-26%), contra um da sua antecessora (24%-25%).

Há, porém, um aspecto em que Manuela Ferreira Leite parece justificar a imagem de "dama-de-ferro do PSD": na resposta a quem faz aquilo que é preciso sem ceder a pressões, apenas perdia por 14 pontos para o líder do Governo (24%-38%), enquanto Passos Coelho é batido de forma esmagadora na comparação com José Sócrates (16%-42%). Em contrapartida, Passos Coelho não só vê subir ligeiramente a ideia de que tem mais apoio do seu partido (20% contra 19% de Ferreira Leite), como vê diminuir a diferença neste item em relação ao seu adversário, pois só 31% dos inquiridos julgam que, neste momento, Sócrates tem o apoio do PS, enquanto em 2008 eram 43%.

E na questão clássica criada pelo marketing eleitoral americano, em que se pergunta às pessoas a que político emprestariam dinheiro ou compravam um automóvel em segunda mão, na escolha de três nomes é Passos Coelho que ganha (40%-34%), mas no primeiro nome dito a vitória é de José Sócrates (17%-8%).

Há ainda dados curiosos sobre a forma como os eleitores encaram as figuras públicas. Em relação a honestidade, por exemplo, a soma dos que escolheram Sócrates, Passos ou ambos é de 41%, mas nos que responderam de forma espontânea nem um nem outro foram 45%. Uma reacção que, como as taxas de abstenção e as percentagens de nulos e brancos, devia talvez fazer reflectir a classe dirigente.

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