Egito apresenta plano de paz que Hamas e Israel terão dificuldade em aceitar

Cairo apresenta plano em três fases para o fim das hostilidades e que inclui a saída do Hamas do poder na Faixa de Gaza. Islamistas não querem ceder poder e o líder israelita diz que a pressão militar é a melhor forma para recuperar os reféns.
Publicado a
Atualizado a

A mais recente iniciativa diplomática do Egito parece estar condenada ao fracasso, depois de representantes dos grupos islamistas Hamas e Jihad Islâmica terem dado sinais de rejeição. Vaiado pelos familiares dos reféns, o líder israelita reafirma que a tática da "pressão militar" é a única a dar resultado.

Um plano para terminar a guerra em Gaza foi apresentado pelo Cairo ao Hamas e à Jihad Islâmica, a Israel, aos Estados Unidos e aos governos europeus, mas para já terá recebido resistência dos grupos responsáveis pelos ataques terroristas de 7 de outubro. Segundo a Reuters, citando fontes egípcias, estes não aceitaram deixar o poder na Faixa de Gaza.

Mais tarde, contudo, a agência noticiosa foi desmentida. Um dirigente do Hamas, Izzat al-Risheq, disse desconhecer a informação publicada pela Reuters. À Al Jazeera, outro representante dos islamistas deixou a porta aberta. "Ainda se está a falar de ideias. A nossa posição clara é que não haverá negociações sobre a troca de prisioneiros sem um cessar-fogo total e a retirada israelita de Gaza", disse Osama Hamdan. "Ninguém aceita negociar sob fogo, nem o Hamas, nem ninguém." Mas Hamdan rejeitou a ideia de que o Hamas cederia o poder em Gaza, por exemplo para "um painel de peritos palestinianos"até à realização de eleições. "Quem vai liderar os palestinianos é uma questão interna da Palestina."

Citaçãocitacao"Não teríamos conseguido até agora libertar mais de 100 reféns sem pressão militar. E não vamos conseguir libertar todos os reféns sem pressão militar." Benjamin Netanyahu

O plano iria ser discutido pelo governo israelita horas depois de o discurso de Netanyahu ter sido interrompido no Parlamento por familiares dos reféns do Hamas. "Agora, agora", gritavam, em referência ao momento para a libertação dos entes queridos.

A primeira fase do plano egípcio, que conta com o apoio do Qatar, prevê uma paragem dos combates por duas semanas, extensível a três ou quatro, em troca da libertação de 40 reféns. Em troca, Israel libertaria 120 prisioneiros palestinianos e a ajuda humanitária entraria em Gaza. Numa segunda fase, um "diálogo nacional palestiniano" patrocinado pelo Egito iria pôr fim à divisão entre as facções palestinianas e conduzir à formação de um governo tecnocrático na Cisjordânia e em Gaza, que supervisionaria a reconstrução da Faixa de Gaza e abriria caminho a eleições.

Citaçãocitacao"Apelo para o fim das operações militares, com a sua terrível colheita de vítimas civis inocentes, e apelo para uma solução da desesperada situação humana através de uma abertura à prestação de ajuda humanitária." Papa Francisco

A terceira fase do plano do Egito prevê um cessar-fogo generalizado, a libertação dos restantes reféns israelitas, incluindo soldados, em troca de um número a determinar de prisioneiros palestinianos do Hamas e da Jihad Islâmica. Israel retiraria as suas forças da Faixa de Gaza e permitiria que os habitantes de Gaza deslocados do norte do enclave regressassem às suas casas.

Um ataque aéreo nos arredores de Damasco, na Síria, matou Sayyed Razi Moussavi, um membro dos Guardas da Revolução iraniana, responsável pela coordenação da aliança militar entre a Síria e o Irão. Moussavi foi descrito como um dos mais antigos conselheiros dos Guardas na Síria, com a patente de brigadeiro-general.

Em resposta, os Guardas da Revolução do Irão afirmaram que Israel "pagará" pela morte de um dos seus comandantes. "Sem dúvida, o regime sionista usurpador e selvagem pagará por este crime", afirmaram os Guardas numa declaração lida na televisão estatal iraniana. Já o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Nasser Kanani, declarou que a morte de Moussavi é "cruel e cobarde" e afirmou que o Irão está no direito de responder com as "medidas necessárias" e no momento e local que escolher.

cesar.avo@dn.pt

Diário de Notícias
www.dn.pt