Doutrinar o ódio ao serviço do terrorismo

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Na manhã do dia 7 de outubro, a organização terrorista palestiniana "Hamas" lançou uma guerra contra Israel. Os primeiros de 4 000 mísseis começaram a ser disparados às 06h30 da manhã - contra cidades israelitas, casas, jardins-de-infância, hospitais e instalações médicas. Isto constituiu uma manobra de diversão para distrair o povo de Israel dos horrores que se seguiriam:

Mais de 1 500 terroristas entraram em Israel em motocicletas e camiões, armados e a pé. Infiltraram-se, nas primeiras horas da manhã, em 22 cidades israelitas. Foram de porta em porta massacrando, indiscriminadamente, bebés, crianças, pais e avós. Torturaram, violaram, decapitaram, queimaram e saquearam. Sequestraram civis e deixaram um rasto de cadáveres. O terrorismo alimenta-se do medo e, por isso, foram filmando tudo o que faziam. O resultado foi uma chuva de fotos e vídeos com as atrocidades que cometeram: sequestro de bebés recém-nascidos a partir dos 3 meses de idade, execução de crianças, violação de mulheres e muito, muito mais. Num evento, não muito longe da fronteira - o Nova, um festival de música -, mais de 260 jovens foram massacrados, tanto no local como enquanto tentavam fugir a pé ou nos automóveis. Os terroristas bloquearam os carros e dispararam sobre condutores e passageiros. Incendiaram-nos depois deixando os corpos das jovens vítimas a arder. Em muitos casos mantiveram famílias como reféns sob a mira de armas durante horas até que as pudessem raptar. Aqueles que não conseguiram levar, foram executados.

O Hamas tem agido de acordo com a sua Carta de princípios e de acordo com a sua doutrinação. Estes não foram apenas crimes de guerra, mas crimes contra a humanidade. Deixaram um rasto de mais de 1200 corpos e cerca de 150 pessoas sequestradas. Centenas de desaparecidos e muitos cadáveres ainda por identificar.

Quando cometeram estas atrocidades sabiam que seria uma missão suicida para a sua grande maioria. Com efeito, muitos foram mortos - mas apenas uma pequena fração do exército de facínoras que o Hamas construiu.

As imagens horríveis que nos têm chegado não podem deixar de nos lembrar as execuções do ISIS, no Iraque, há 9 anos, e por uma razão muito válida: a ideologia do ISIS e a do Hamas são muito semelhantes. A Carta do Hamas apela à destruição de Israel já no seu preâmbulo: "Israel existirá e continuará a existir até que o Islão o destrua, tal como destruiu outros antes dele". Também apela à Jihad contra os Judeus (artigos 15, 33), rejeita qualquer conversação ou negociação de paz (artigo 13), condena a paz de Israel com o Egito (artigo 32), incita ao antissemitismo (artigos 7, 22 e 32, duas vezes). No dia 11 de outubro, foi encontrada uma bandeira do ISIS entre os itens de um terrorista do Hamas que morreu em Sufa.

Golda Meir disse: "Nós somente teremos paz com os árabes quando eles amarem os seus filhos mais do que nos odeiam". Ainda que seja difícil de acreditar, os terroristas são gente, são humanos e como tal têm de ser responsabilizados pelos seus atos hediondos. Quem são os pais e educadores que criaram este mal? Que caminho levou o povo de Gaza a celebrar a violência e a morte?

Gaza caiu sob o controlo do Hamas na sequência das eleições que se seguiram à retirada de Israel da Faixa de Gaza, em 2005. Israel saiu e deu as chaves aos palestinianos. Foram realizadas eleições em 2006 (algumas, sabemos agora, também sob a mira de uma arma), que o Hamas venceu, assumindo o poder em 2007. Iniciou imediatamente as execuções dos membros do partido adversário, da comunidade LGBT e de outras minorias. Assumiu o controle das mesquitas e das escolas para controlar o que é ouvido e o que é ensinado.

Os seus seguidores não partilham os valores da democracia, liberdade, justiça e direitos civis. O sistema educativo desenvolvido pelo Hamas foi construído com um único propósito: construir um exército de terroristas. Os livros de matemática da primária ensinam adição e multiplicação usando os números de israelitas mortos por "Shahids" ("mártires"). Os livros do Hamas incitam à matança de israelitas e judeus e glorificam os que morreram ao fazê-lo. O Hamas paga às famílias dos "mártires", aumentando os incentivos, e sempre que israelitas e judeus morrem num ataque terrorista distribuem doces e guloseimas nas ruas e nas escolas.

Israel foi arrastado para uma guerra que não queria. Israel não tem apenas o direito, mas o dever, de se defender a si próprio e aos seus cidadãos, e de devolver a segurança e o sentimento de proteção ao seu povo. Israel tem legitimidade e apoio para o fazer, e pode fazê-lo. Pode não ser fácil, pode levar algum tempo, mas a democracia, os nossos valores e o nosso modo de vida, opostos à doutrina do ódio e da morte, acabarão por prevalecer.

Vice-chefe de missão da embaixada de Israel em Portugal

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