Partindo do princípio que Michel Temer cai, o que pode acontecer? Eleições indiretas, como prevê a Constituição quando a queda ocorre a menos de dois anos do próximo ato eleitoral, ou diretas, dados o precedente ocorrido no governo do Amazonas e a pressão popular?.Tudo pode acontecer. Se o presidente renunciar ou se for alvo de um impeachment a eleição deve ser indireta, ou seja, ser realizada pelo Congresso Nacional. Caso, por outro lado, Temer não renunciar e perder o mandato no dia 6 de junho, quando o Tribunal Superior Eleitoral vai continuar a julgar eventuais crimes eleitorais cometidos pela dupla Dilma-Temer antes das eleições de 2014, aí a eleição pode ser direta, tendo em conta o tal precedente ocorrido no governo do Amazonas, que levou a uma mudança do código eleitoral. Mas, mesmo nesse caso, corre uma ação a alegar inconstitucionalidade da mudança, inconstitucionalidade que deve, pois, ser julgada ainda pelo Supremo. Há, porém, um terceiro caminho..Qual?.Dada a tal pressão popular, o Congresso Nacional pode votar uma emenda constitucional que permita a realização de diretas, mesmo em caso de renúncia ou impeachment..Para essa alteração são necessários três quintos dos parlamentares?.São, o que parece provável de obter dada a pressão por "diretas já"..O julgamento da dupla Dilma-Temer, cuja segunda sessão é a 6 de junho, parecia um passeio para Temer, com a quase garantia de ter cinco de sete juízes a votar pela sua absolvição. Os juízes podem mudar de opinião?.É o que tudo indica. Na altura, alguns deles disseram que a queda de Temer seria um preciosismo jurídico que só criaria instabilidade política. Agora, sendo fiéis a esse argumento, podem julgar pela queda de Temer porque é a sua continuidade no Planalto que se tornou desestabilizadora..A haver eleições diretas, em quanto tempo seriam realizadas?.Não se sabe, terá de ser tudo decidido do zero porque não há precedentes, não se sabe sequer quem pode ser candidato: qualquer brasileiro acima de 35 anos? Só um congressista? O mais provável é ter de ser o Supremo a decidir..O país corre o risco, inédito, de ter dois impeachment num ano. No mundo, é inédito também?.Não posso dizer com plena certeza mas talvez seja. Podemos ver a situação por duas vias: a pessimista, ou seja, acharmos que uma situação assim representa uma crise política gravíssima; e a otimista, que é acharmos que o país, ainda uma democracia jovem, consegue passar por crises dentro de uma certa regularidade institucional..Até haver eleições, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, político envolvido na Lava-Jato, assume o país. Terá força política para aprovar as reformas laboral e da segurança social que Temer apresentou?.Como não há vice-presidente seria Rodrigo Maia, de facto, a assumir. Ele está citado mas não é réu na Lava-Jato, por isso pode assumir. O mesmo se passa com o seguinte na hierarquia, o presidente do Senado, Eunício de Oliveira. A terceira na hierarquia é Carmen Lúcia, a presidente do Supremo. Seja quem for a assumir, funcionará apenas como alguém que evita o vácuo institucional, não terá coragem para avançar com nenhuma reforma, o país ficará, pois, paralisado..em São Paulo