Solenemente, o vice-presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), Paulo Pereira de Almeida, assinalou uma falha de mais de 11 mil crimes no Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2009. Este responsável falava no âmbito de um Think Tank, promovido ontem pelo OSCOT, para analisar o RASI e pediu mais rigor nos números oficiais, por uma questão de "integridade estatística"..Em causa está, de acordo com Paulo Pereira de Almeida, a discrepância entre os números que foram recentemente apresentados pelo ministro da Administração Interna, Rui Pereira, e pelo secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, Mário Mendes, e os dados da Direcção-Geral da Política de Justiça (DGPJ), que contabiliza também a criminalidade participada. .Segundo o RASI houve 416 058 crimes participados em 2009, mas, de acordo com a DGPJ este número atingiu os 427 679 crimes. "Em matéria de integridade estatística seria desejável alguma coerência", sublinhou este professor universitário de segurança interna..Confrontada com esta constatação pelo DN, fonte oficial do gabinete do secretário-geral de Segurança Interna, Mário Mendes, declarou desconhecer esta disparidade estatística, embora considere que "uma justificação possível é o facto de o RASI contabilizar apenas as informações da PJ, GNR e PSP, enquanto a DGPJ conta também os crimes participados a outros órgãos de polícia criminal, como a ASAE, ou o SEF ou aqueles que chegam directamente ao Ministério Público". .Na síntese da análise feita pelo OSCOT ao relatório oficial de criminalidade, Paulo Pereira de Almeida elogiou a "melhoria substantiva na estrutura do relatório" e sugeriu que este tipo de informação sobre a evolução da criminalidade pudesse ser "fornecida ao público mais regularmente" para ajudar a criar a "cultura de segurança" defendida pelo OSCOT..Entre os presentes do encontro estava o ex-ministro da Administração Interna do PSD, Figueiredo Lopes, que salientou a diferença que nota entre a forma como os governos interpretam e anunciam a criminalidade e a realidade descrita pelas pessoas. "Parece que há uma divergência entre a resposta do Estado e as expectativas dos cidadãos. Parece que as respostas são ditadas mais pelo impacto mediático de determinado crime, ou por outros interesses", disse..Fernando Negrão, deputado do PSD entende que no RASI "há ausência de explicação sobre determinados fenómenos criminais", nomeadamente sobre o aumento de crimes em quase todas as capitais de distrito do interior do País e sobre o recrudescimento da criminalidade juvenil. .Enquanto a Direcção do OSCOT considera positivo que a criminalidade tenha descido 1,2% e a violenta 0,1%, Negrão pensa que isso significa que o agravamento de 2008 se "sedimentou"..Já no final do debate, questão mais polémica aflorou: a unificação das polícias é ou não desejável? O presidente do OSCOT, José Manuel Anes, acha que "ainda é cedo", Negrão quer começar a "pensar nisso".