Cursos profissionais ajudam a baixar os chumbos

Educação. Ofertas profissionais terão acelerado descida da retenção e abandono. Oposição classifica estatísticas de propaganda eleitoral
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Os cursos profissionais "deram um empurrão claramente forte" à descida das taxas de abandono e insucesso no ensino secundário, admitiu ao DN o secretário de Estado adjunto e da Educação, que destacou também o impacto do reforço dos cursos de educação e formação (EFA) no ensino básico.

Jorge Pedreira apontou ainda os "planos de recuperação e aulas de apoio" do básico, a "estabilização [das colocações] dos professores" e um "discurso virado para a obtenção de resultados nas aprendizagens" como motivos para a recuperação.

De acordo com indicadores divulgados pelo Ministério, e noticiados ontem pelo DN, a taxa de abandono e insucesso no secundário caiu, só no último ano lectivo, quatro pontos percentuais, para 18%. Em 2005/2006 situava-se nos 31,7%. No básico, a descida face a 2008 foi de 0,6 pontos, para 7,7%, que comparam com os 11,4% de 2005/2006. Este último número colocava mesmo Portugal no último lugar entre os países desenvolvidos (ver texto ao lado).

Em relação aos cursos profissionais - que este ano lectivo vão abrir mais de 120 mil vagas, em cerca de 450 ofertas distintas- Jorge Pedreira disse ser necessário conhecer " em pormenor" os resultados dos alunos que os frequentaram para avaliar o seu impacto. Mas a verdade é que a baixa do insucesso, que vem desde 2001, tem-se acentuado com o aumento destas ofertas.

O facto de os cursos profissionais e EFA não obrigarem os alunos a realizar exames nacionais foi ontem apontado por Manuela Mendonça, da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) como uma das razões para a descida do insucesso. Já o Governo tem preferido destacar a maior atractividade destas ofertas para alunos que, de outra forma, poderiam estar fora do sistema.

Os resultados foram ontem elogiados pelas associações de pais, mas suscitaram dúvidas na oposição. O PCP classificou-os de "propaganda" e o PSD de "números estatísticos feitos à medida do primeiro-ministro". Também os sindicatos de professores dividiram a "satisfação" pelos progressos com as reticências sobre a sua tradução nas melhorias das aprendizagens dos alunos.

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