Curdos sírios negam envolvimento em atentado em Istambul

Polícia diz que síria detida pela explosão confessou ser agente do PKK. Grupos curdos rejeitam qualquer relação com atentado que matou seis pessoas.
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Menos de 11 horas depois de um atentado ter matado seis pessoas no centro de Istambul, as autoridades acusaram uma mulher síria pela execução de um plano do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e, por extensão, das milícias YPG, que fizeram parte da aliança ocidental de combate ao Estado Islâmico. Ambas as organizações negaram o envolvimento no ataque.

"A pessoa que colocou a bomba foi presa", disse o ministro do Interior, Suleyman Soylu, numa declaração transmitida pela agência noticiosa oficial Anadolu no início da segunda-feira. "De acordo com as nossas conclusões, a organização terrorista PKK é responsável", disse Soylu.

Incluído na lista dos grupos terroristas por Ancara e os seus aliados ocidentais, o PKK tem liderado uma luta armada pela autodeterminação curda no sudeste da Turquia desde os anos 80, mas negou qualquer papel no ataque. "O nosso povo e o público democrático sabem que não estamos relacionados com este incidente, que não visaremos diretamente os civis e que não aceitamos ações contra civis", disse o PKK numa declaração.

"Acreditamos que a ordem do ataque foi dada por Kobane", disse o ministro turco, referindo-se a uma cidade na Síria perto da fronteira turca. Também as Forças Democráticas Curdas da Síria (SDF) negaram qualquer papel no atentado bombista. "As nossas forças não têm nada a ver com o atentado de Istambul", disse Mazloum Abdi, o comandante-chefe das SDF, aliadas dos países ocidentais na luta contra o Estado Islâmico. A Turquia considera as Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG) - o principal componente das SDF - uma extensão do PKK.

A polícia disse que a principal suspeita da explosão na Avenida Istiklal, que matou seis pessoas e feriu mais de 80, é uma síria que confessou trabalhar para militantes curdos. Quarenta e seis pessoas foram detidas no total, disse a polícia.

As filmagens da polícia divulgadas pela comunicação social turca mostraram uma mulher a ser detida num apartamento em Istambul. A polícia, citada pela NTV, identificou-a como Alham Albashir e disse que foi presa às 2h50 num subúrbio de Istambul.

O ministro da Justiça, Bekir Bozdag, disse que uma mulher tinha estado sentada num banco durante mais de 40 minutos e "depois levantou-se", deixando uma mala. "Um ou dois minutos mais tarde ocorreu uma explosão", afirmou Bekir.

Na segunda-feira, todos os bancos tinham sido retirados da avenida Istiklal, onde os residentes colocaram cravos vermelhos no local da explosão, com alguns a enxugar lágrimas e outros a falar do medo de novos ataques no período que antecede as eleições de junho.

Aquela avenida já foi alvo de atentados em 2015-2016, que antecederam a campanha eleitoral e que foram atribuídos ao Estado Islâmico e aos militantes curdos. Morreram então quase 500 pessoas e mais de duas mil foram feridas.

Regularmente alvo de operações militares turcas, o PKK também tem estado no centro de uma contenda entre a Suécia e a Turquia, o que tem bloqueado a candidatura de Estocolmo - e, por arrasto, de Helsínquia - à NATO desde maio, acusando-a de condescendência para com o grupo.

A condenação internacional chegou de todo o mundo, incluindo dos Estados Unidos, mas na segunda-feira a Turquia disse rejeitar as condolências de Washington pelo ataque.

Com frequência, o governo de Recep Tayyip Erdogan tem acusado os Estados Unidos de fornecer armas aos combatentes curdos no norte da Síria, YPG, que Ancara rotula como grupo terrorista ligado ao PKK. "Não aceitamos a mensagem de condolências da embaixada dos EUA. Rejeitamo-la", disse Soylu.

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