Transportes. O investimento de 20 milhões de euros foi quase todo suportado pelas empresas públicas Refer e CP em troca de um contrato para o transporte por ferrovia. Mas até agora não houve procura por causa da recessão no sector do aço e da construção e na economia espanhola.Ligação ferroviária operacional desde meados de 2008.Operacional desde meados do ano passado, o ramal da Siderurgia Nacional (SN), um projecto que envolveu um investimento na ordem dos 20 milhões de euros, a maioria de capitais públicos, não teve até agora praticamente comboios de mercadorias, confirmou ao DN o presidente da CP, Cardoso dos Reis. Em causa está a crise económica e a falta de procura para a produção das duas unidades do Seixal que abastecem, entre outros, o mercados da construção. Como Espanha seria também um dos destinos da produção, o arrefecimento da economia vizinha também ajuda a explicar esta situação que não deverá melhorar em 2009, admite o presidente da CP..O ramal da Siderurgia Nacional liga as instalações das unidades do Seixal à rede ferroviária nacional desde Abril de 2008, embora o serviço só ficasse operacional em meados do ano. Este é um dos primeiros investimentos decididos pelo Governo na rede ferroviária a ficar concluído, mas a crise económica não está a permitir a sua utilização, nem a respectiva rentabilização. A ligação à SN foi um investimento feito em parceria pela Refer, CP e as duas empresas que resultaram da Siderurgia Nacional, a SN Longos e a Lusosider. A maior fatia de 16 milhões de euros, para a construção da infra-estrutura às unidades, pertenceu à Refer, e foi financiada em mais de 20% por fundos comunitários do Feder. .Dentro das instalações das duas unidades, foram investidos mais cerca de 4,5 milhões de euros, distribuídos pela CP e por duas empresas, com a operadora ferroviária a assumir pouco mais de dois milhões de euros. A SN Longos e a Lusosider investiram o resto. Como contrapartida pela ligação, a CP garantiu um contrato de cinco anos de transporte de mercadorias, entre matéria e produto final, para as duas empresas que deveria representar, em ano cruzeiro, um milhão de toneladas transportadas. Em cima da mesa estava um reforço da capacidade de produção das unidades. Só que as expectativas não se concretizaram e as perspectivas para este ano não são, para já, animadoras, até porque uma das empresas que subscreveu o acordo, a Lusosider, anunciou no início de Dezembro um lay-off (suspensão do contrato de trabalho) de cerca de 90% dos seus trabalhadores até 15 de Março deste ano. A empresa de capitais brasileiros, que emprega quase 200 funcionários, invocou a necessidade de minimizar o impacto negativo da redução da procura. O DN questionou a outra parceira, a SN Longos, sobre a sua actividade, mas a empresa de capitais espanhóis recusou responder. O Estado vendeu os 10% que ainda detinha na SN Longos no final de 2008. A Refer, principal responsável pelo investimento, pelo qual deveria receber da CP a taxa de uso, também não quis comentar a situação.