Crianças têm medo e pais tentam transferir os filhos para outras escolas

No primeiro dia de regresso às aulas na Escola Tasso da Silveira alguns pais tentaram transmitir confiança às crianças, ainda assustadas, enquanto outros, mais atingidos, foram apenas buscar documentos para transferir os filhos da escola.
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Renata dos Reis Rocha, mãe de gémeas que estudavam na mesma sala, teve de lidar com a perda de uma das filhas e busca agora forças para apoiar Brenda, que sobreviveu mas teve as duas mãos atingidas pelos tiros disparados por Wellington Menezes de Oliveira, protagonista principal de um massacre na escola, há 11 dias. "Vim aqui buscar o histórico escolar para ela mudar de escola, porque ela não quer voltar aqui, está traumatizada. Ela viu a irmã morrer (...) e está com vergonha porque não consegue nem escrever porque teve as mãos baleadas", dizia a mãe atordoada. Já Waldicélia Garcia foi ao colégio acompanhada da filha, Isabela Garcia, de 14 anos, para participar numa reunião realizada de manhã com os professores, na qual os pais tiveram espaço para sugerir mudanças e fazer pedidos à Secretaria de Educação do governo.

"Não dá para culpar a escola. Acho que colégio nenhum teria conseguido impedir isso de acontecer. Mas agora, nesse recomeço, é preciso sim essa segurança (presença da Guarda Municipal em frente à escola) porque as crianças estão fragilizadas", declarou Waldicélia à Lusa. A filha, Isabela, estava numa das salas onde o atirador entrou, mas conseguiu escapar ilesa. O trauma, no entanto, é evidente, com a dificuldade que a menina tem em comentar o que aconteceu e o que sente. A mãe explica que ela perdeu a maior parte das amiguinhas, que se sentavam próximo dela. "Ela está com medo, mudou muito desde que tudo aconteceu, não ri mais, não brinca", lamentou a mãe que, no entanto, elogiou o apoio psicológico oferecido pelo governo.

Walmir de Souza foi outro pai que esteve na escola acompanhando a Filha, Karen, de 11 anos. Explicou à Lusa que na decisão de a manter na Tasso da Silveira pesou o facto de ser quase metade do semestre lectivo (no Brasil as aulas começa em Fevereiro) e que uma transferência poderia prejudicar a conclusão do ano escolar. "Ela está meio fechada, não quer falar nada ainda. Amanhã, se ela se sentir bem, vai voltar", afirmou o pai. Hoje foi o primeiro dia de actividades do colégio Tasso da Silveira, em Realengo, zona Oeste do Rio, desde a tragédia ocorrida no dia 07 de Abril, quando um ex-aluno entrou na escola e atirou contra duas turmas, matando 12 estudantes. Mariângela Mattos estava entre as mães que tentavam incentivar o regresso da filha e da sobrinha Mayara, de 18 anos. Embora tenha visto o ocorrido apenas pela televisão, por estudar no turno da noite, Mayara contou que desde que viu o rosto do atirador fica o tempo todo a lembrar-se.

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