O primeiro de oito lotes, que constituem parte de um bairro arquitectado por Tomás Taveira nos anos 80, na zona J de Chelas (hoje bairro do Condado), com alguns imóveis acrescentados posteriormente, começou ontem a ser demolido. A primeira martelada aplicada por António Costa numa das paredes foi meramente simbólica. Na realidade, no lote 527, que vai ser o primeiro a ir abaixo, ainda vive uma mulher, com mais duas irmãs, que ontem foi aconselhada a fechar tudo para não se notar a sua presença..A demolição serve para ajudar a "vencer o estigma" da freguesia, explicou o presidente da Câmara de Lisboa, acompanhado pelos responsáveis da Gebalis, a empresa que gere os bairros sociais, e ainda por Helena Roseta, futura número dois do município caso o PS vença as eleições autárquicas..O estigma referido por António Costa tem a ver com o facto de aqueles oito lotes formarem um corredor, de acesso labiríntico, a que os moradores chamam 'Corredor da Morte' e que foi bem ilustrado no filme "Zona J", do realizador Leonel Vieira. .As pessoas já começaram a ser realojadas. Excepto a mulher que ainda vive com as duas irmãs no lote 527, e uma cartomante, no lote ao lado, que está a exigir à Gebalis ser realojada numa casa onde possa manter o negócio (clandestino) - exigência que está a ser negada -, a maioria dos lotes para demolir já está vazio. Por isso, o 'Corredor da Morte' tornou-se, ainda mais, um meandro de tráfico de droga, de consumo e de prostituição, onde só entram os do meio, contaram os moradores..Chama-se assim porque, não raras vezes, o fim da vida acontece ali mesmo em resultado de "overdoses". "A câmara tinha acabado de atribuir uma casa a um jovem e passados três dias morreu carregado de droga no corpo", contou uma moradora ao DN. Por outro lado, quem não cumprir os seus compromissos com os traficantes é conduzido até ali e já não tem por onde escapar. As entrada e saídas com corredores estreitos e labirínticos são poucas e perfeitamente controláveis . A esquadra da PSP é mesmo ao lado, assim como a sede da Junta de Freguesia de Marvila, mas isso de nada adianta. .Todos conhecem a realidade e têm a esperança que, com a demolição dos lotes, desapareça também o famigerado corredor. Para o local foi projectado um espaço verde, prevendo-se que a Gebalis invista ali cerca de um milhão de euros. A obra deverá estar pronta daqui a nove meses. A martelada de ontem foi, apenas, simbólica.