Costa cola a Passos à imagem de pessimista sem propostas

Socialistas responderam ao discurso do líder do PSD desafiando sociais-democratas a inverterem estratégia que seguiram no OE 2016. Querem que o PSD apresente propostas de alteração à proposta e não se resuma a criticar
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Irá desta vez o PSD apresentar propostas, quando chegar a altura de discutir no Parlamento o Orçamento do Estado (OE) para 2017? Esse foi o principal desafio que o PS deixou a Pedro Passos Coelho, como resposta ao discurso do líder social-democrata, domingo à noite, na "Festa do Pontal", em Quarteira, Algarve.

Vem aí um período muito importante de definição do orçamento para o próximo ano, a estratégia do PS é conhecida. Infelizmente no último orçamento, o PSD preferiu não apresentar qualquer proposta aos portugueses remetendo-se a uma oposição negativa.O PS e os portugueses querem saber o que propõe a direita, novas ideias para o país ou mais do mesmo e voltamos a austeridade, a receita favorita de Passos Coelho? Hoje, desafiamos o PSD a apresentar propostas concretas para o próximo Orçamento do Estado ao contrário do que fez no passado", disse a secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, logo a seguir ao discurso de Passos, numa conferência de imprensa no Largo do Rato.

Passos Coelho concentrou-se em criticar o fraco crescimento da economia registado no segundo trimestre deste (0,2% do PIB face ao primeiro trimestre), dizendo que a atual "troika governativa só sabe fazer o que é fácil", estando por isso "esgotada".

António Costa reagiu, à margem de uma visita a Arouca por causa dos incêndios (ver página 17) ao discurso de Passos no Algarve.

"Tinha esperança que as férias tivessem dado ao dr. Passos Coelho alguma imaginação para não continuar a reservar-se ao papel, que é um papel que não é saudável para o país, que é o de estar sempre a anunciar a desgraça que vem aí na semana a seguir e que felizmente, graças ao grande esforço que tem sido feito em particular pelos nossos empresários e trabalhadores, não tem correspondido a essa realidade", disse o líder socialista.

De seguida, acusou-o de ter um discurso de "vira o disco e toca o mesmo" e de não valorizar os aspetos positivos como o facto de se ter conseguido "resolver a bem o processo de sanções aberto pela União Europeia contra o Governo de Passos Coelho". Destacou ainda os números de emprego que "dão conta da mais baixa taxa de desemprego em anos", adiantando ainda que o país está a inverter um ciclo de desaceleração da economia e vai cumprir as metas orçamentais para este ano.

"Eu por mim ancoro-me naquilo que são os números da expectativa relativamente ao investimento que o Instituto Nacional de Estatística tem apresentado, no esforço que estamos a fazer para recuperar os dois anos de atraso que existiram na execução dos fundos comunitários (...) e naquilo que é o reforço da confiança que, quer os consumidores, quer os empresários do setor industrial e da construção têm vindo a revelar no futuro do nosso país", disse.

Segundo defendeu, é preciso apostar "no sentido de confiança no futuro", considerando que "é isso que é essencial" para dar solidez à "inversão da trajetória económica depois de quatro anos de austeridade que fizeram o país recuar décadas em matéria de investimento, de emprego e criação de riqueza". "Agora é a altura de reconstruir do país. É isso que estamos a fazer", vincou.

Seja como for, o PS acabou por reconhecer, através de Ana Catarina Mendes, que os números da economia não são bem o que o PS projetou. "A economia está a crescer [mas] não tanto como gostaríamos", reconheceu a secretária-geral adjunta dos socialistas.

Incêndios: apelo à clareza

Outro dos pontos de ataque do PS ao líder do PSD foi sobre a questão dos incêndios. No Pontal, Passos disse que para já não é tempo de balanços - mas fez sentir que é crítico da atuação do Governo: "Haveremos um dia de o fazer, mas não é agora tempo de fazer o balanço daquilo que deveria ter sido a resposta pública. Mas não faremos na oposição o que nos fizeram no governo. Há um tempo para tudo".

O PS não gostou do tom. "Gostaria de começar por apelar a Passos Coelho que se quer falar sobre a situação dramática de incêndios que hoje se vive no país, que o faça de forma clara e inequívoca. Neste momento, o que o país precisa é de tranquilidade e toda a nossa solidariedade para com os bombeiros, as forças de segurança, os autarcas e as populações que tanto têm sofrido com este flagelo", disse Ana Catarina Mendes, que concluiu que "falar de um assunto, fingindo não falar dele é a forma menos leal e séria de o abordar" e que "foi assim que lamentavelmente o líder da oposição falou sobre os incêndios deste Verão".

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