Conservadores revelam quem sucede a Boris Johnson
O resultado da longa campanha de verão da ministra dos Negócios Estrangeiros contra o antigo ministro das Finanças Rishi Sunak é anunciado hoje, antes de o primeiro-ministro Boris Johnson apresentar formalmente a sua demissão à rainha Isabel II amanhã no Castelo de Balmoral, na Escócia.
A votação por correio e online pelos cerca de 200 mil membros do Partido Conservador começou no início de agosto, um mês depois de Johnson ter anunciado a demissão, e terminou na sexta-feira. Nas sondagens aos militantes, Truss goza de um apoio esmagador sobre Sunak. Mas o vencedor terá uma curta lua-de-mel política quando entrar no Número 10 de Downing Street, depois de se encontrar com a rainha nas Terras Altas escocesas, numa cerimónia que quebra da tradição: a tomada de posse dos chefes de governo costuma decorrer no Palácio de Bucking-ham ou no Castelo de Windsor.
O Reino Unido está no auge da sua pior crise de custo de vida em gerações, com a inflação a subir dois dígitos, com os preços da energia a disparar, devido à guerra na Ucrânia. Milhões dizem que, com as contas a aumentar 80% a partir de outubro - e ainda mais em janeiro -, enfrentam uma escolha dolorosa entre a alimentação e o aquecimento neste inverno, revelam inquéritos.
Truss prometeu cortes nos impostos, mas estes nada fariam para beneficiar os mais pobres. Durante semanas, aquela que está na linha da frente dos conservadores tem descartado ajudas diretas, e foi mais longe na quarta-feira prometendo não cobrar mais impostos - promessa que cedo quebrou.
Ao escrever na edição de quinta-feira passada do tabloide The Sun, Truss prometeu "prestar apoio imediato para garantir que as pessoas não enfrentem faturas de energia incomportáveis" este inverno. "Acre- dito firmemente que, nestes tempos conturbados, precisamos de ser radicais", acrescentou, dando uma antevisão da sua agenda thatcheriana de reformas para cimentar o legado do Brexit.
Os deputados tories revoltaram-se contra o seu herói do Brexit após meses de escândalos, e favoreceram Sunak em detrimento de Truss co-mo o líder mais qualificado para os levar até às próximas eleições gerais, previstas para janeiro de 2025. Porém, as fileiras do partido juntaram-se à plataforma de direita de Truss, mesmo sendo ela uma ex-liberal-democrata que se opôs a deixar a União Europeia no referendo de 2016.
"Ela é uma melhor política", disse John Curtice, professor de Política na Universidade de Strathclyde, à AFP, depois de Truss se ter agarrado a um simples guião ao longo da campanha. "Sunak demonstrou algumas das qualidades que se pode esperar ver num bom ministro. Mas Truss demonstrou as qualidades de que necessita um político", acrescentou Curtice.
Quem quer que ganhe, as recentes sondagens do eleitorado em geral mostram que os conservadores enfrentam um desafio crescente para manter o poder, nas suas mãos há 12 anos. Além da crise do custo de vida, o Partido Trabalhista lucrou com o ataque ao "governo zombie" de John-son. O principal partido da oposição ostenta agora uma vantagem de dois dígitos sobre os conservadores nas sondagens, enquanto o panorama económico se torna o mais sombrio desde que Margaret Thatcher chegou ao poder, em 1979.