Colega de Lee Harvey Oswald convencido da sua inocência 50 anos depois
Cinquenta anos depois, Frazier confessou, em declarações à agência noticiosa EFE, que aquele dia mudou a sua vida, admitindo, no entanto, que continua a acreditar na inocência do então colega de trabalho.
"Ninguém conseguiu convencer-me", afirmou, numa entrevista à agência espanhola, publicada por ocasião do 50.º aniversário da morte de JKF.
A chuva, o rádio e algumas palavras de Oswald são os poucos elementos que Buell Wesley Frazier recorda da curta viagem de carro, algumas horas antes de JFK ser assassinado a tiro quando passava na praça Dealey em Dallas (Texas).
Lee Harvey Oswald, um ex-fuzileiro de 24 anos, simpatizante da ideologia comunista que viveu na antiga União Soviética de 1959 a 1962, foi preso cerca de três horas depois dos acontecimentos.
Foi morto dois dias mais tarde numa esquadra de polícia local por Jack Ruby, proprietário de uma casa de diversão noturna.
As investigações determinaram que os disparos que mataram Kennedy tinham vindo do sexto andar do Depósito de Livros Escolares do Texas (atualmente um museu), onde Oswald e Frazier trabalhavam. Um facto que alterou a vida de Frazier, na altura com 19 anos, que se tornou suspeito e, posteriormente, testemunha do processo de investigação.
"Se pudesse voltar atrás e mudar alguma coisa, apenas uma coisa em toda a minha vida, não me teria aproximado de Dallas, nem a uma distância de mil quilómetros, naquele dia", referiu.
Os dois homens conheceram-se no trabalho a 15 de outubro de 1963, onde Frazier recebeu ordens para ensinar o novo funcionário, Oswald.
"Tenho lido muitos artigos sobre ele e como as pessoas o descrevem como um louco. Mas o Lee Oswald que conheci não era nada disso. Nunca o vi zangado. Sempre teve uma grande atitude e foi um prazer trabalhar com ele", assegurou.
Sobre o assassinato de Kennedy, Frazier realçou que "os Estados Unidos perderam alguém muito especial", argumentando, no entanto, que a Comissão Warren (responsável pelo inquérito oficial sobre a morte de JFK) precipitou-se a declarar Oswald como o único culpado.
"O que foi decidido, tecnicamente, é que ele foi acusado de assassínio. Ninguém conseguiu prová-lo em tribunal, porque Lee não viveu o suficiente para ir a julgamento", afirmou Frazier, atualmente com 69 anos.
"Acho que o caso continua em aberto e que os Estados Unidos não ouviram a verdade", acrescentou.
No dia 22 de novembro de 1963, pouco depois das 12:30, o jornalista Pierce Allman, na altura com 29 anos, cruzou-se por breves momentos com Oswald.
Allman, então diretor de programas da rádio WFAA/ABC, testemunhou o assassinato de Kennedy na praça Dealey.
"Disse a mim mesmo que precisava de encontrar um telefone", contou, em declarações à agência francesa AFP.
"Entrei no edifício do Depósito de Livros Escolares do Texas. Perguntei a um homem onde podia encontrar um telefone. Ele respondeu 'aqui', respondi 'obrigado' e entrei", relatou.
O jornalista soube mais tarde, através do próprio depoimento de Oswald, que tinha falado com o atirador.
"Estava muito calmo. Não parecia apressado, não estava ofegante, não parecia nervoso", recordou o jornalista.