Centro de Integridade Pública de Moçambique considera alarmante falta de medicamentos no país

O Centro de Integridade Pública (CIP), organização da sociedade civil moçambicana, considera alarmante a falta de medicamentos nas unidades sanitárias moçambicanas, classificando de "ineficiente" a logística de distribuição de fármacos no país.
Publicado a
Atualizado a

O CIP entende que a crise de medicamentos em Moçambique está longe de ser ultrapassada, numa análise intitulada "Falta de medicamentos está associada à precariedade da logística".

No estudo, realizado de 20 de setembro a 06 de outubro de 2017, aquela organização refere ter detetado casos em que a reposição do fornecimento de medicamos levou nove meses para ser feita.

"Nos 12 distritos abrangidos pela pesquisa, 100% dos depósitos distritais tiveram rutura de stock de medicamentos nos últimos três meses anteriores à pesquisa", diz o CIP.

A monitorização ao setor da saúde, prossegue o documento, apurou que grande número de utentes do serviço público continua a não receber os medicamentos receitados na quantidade certa e na hora certa.

"Comparativamente a 2015, a situação deteriorou-se. Os depósitos experimentaram mais situações de ruturas de stock e receberam menos medicamentos do que esperavam receber", diz a pesquisa.

As visitas e entrevistas com os vários intervenientes da cadeia de logística de medicamentos não só precisa de eficiência na compra, mas também de melhorar a gestão do armazenamento e da distribuição.

O CIP considera ainda que há falta e má gestão de recursos humanos no setor de medicamentos e a gestão nos depósitos distritais continua a ser realizada por pessoal farmacêutico apoiado por funcionários e alguns administrativos.

"Verificamos um aumento significativo de recursos humanos da área da farmácia em alguns distritos, descurando a necessidade de profissionais de logística", diz a análise.

O défice de recursos humanos para farmácia e logística farmacêutica é também agravado pelo desequilíbrio na sua distribuição pelo país.

"As províncias de Zambézia e Nampula em 2017 apresentavam os piores rácios de profissionais de farmácia por 100.000 habitantes à exceção de Maputo e Inhambane que apresentam rácios acima da média nacional", refere o estudo.

Uma reportagem feita pela Lusa em abril constatou que farmácias do Estado em Maputo enfrentam uma falta de medicamentos essenciais, privando de fármacos os doentes sem posses, na incapacidade de recorrerem a privados.

Em declarações à Lusa, farmacêuticos relataram que ficam dois ou mais meses sem a reposição de medicamentos básicos, como aspirina, fansidar, usado para o combate à malária, clorfenamina, um antigripe, e amofilina, um antiasmático.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt