O ténis tem um novo rei: Carlos Alcaraz, mais conhecido por Carlitos, o primeiro classificado do ranking ATP. O jovem tenista espanhol venceu o US Open, o seu primeiro Grand Slam da carreira ao derrotar Casper Ruud, e tornou-se o mais jovem de sempre a chegar à liderança mundial, batendo o recorde de precocidade de Lleyton Hewitt..Alcaraz é mesmo o único a consegui-lo antes dos 20 anos (19 anos e 130 dias). Para se perceber a dimensão do feito do jovem murciano é preciso ver que dois dos maiores tenistas de sempre, Roger Federer (tinha 22 anos) e Novak Djokovic (tinha 24 anos) nem entram no top-10 dos mais jovens a chegar a número 1 - uma lista fechada por Rafael Nadal (22 anos e 76 dias)..Natural de um país com forte tradição no ténis, que teve três líderes do ranking ATP criado em 1973 (Juan Carlos Ferrero, Carlos Moya e Rafael Nadal) e onde os campos de ténis estão cheios de jovens que querem ser profissionais, Carlitos - assim o chamavam em criança para evitar confusões com os outros dois Carlos Alcaraz (o pai e o avô paterno) - já caminha em nome próprio, mas não evita as comparações. A força física, a velocidade, o carisma e o magnetismo no court fazem dele uma verdadeira fotocópia de Nadal. Tem ainda a agressividade de Roger Federer e a frieza de Novak Djokovic. Características que fazem do jovem natural de El Palmar (Múrcia) o mais forte candidato a acabar com o domínio do Big 3: Federer, Nadal e Djokovic..Destaquedestaque"Ele está a 60% do seu potencial. Tem de continuar a trabalhar se quiser continuar no topo. Há muito a melhorar: o serviço, a resposta, a esquerda em algumas situações, a tomada decisões. O trabalho ainda não acabou", disse Juan Carlos Ferrero..Se o mundo do ténis (e do desporto em geral) lhe faz vénias, quem já esteve no lugar dele e o treina avisa que Carlos Alcaraz tem muito a melhorar. "Ele está a 60% do seu potencial. Tem de continuar a trabalhar se quiser continuar no topo. Há muito a melhorar: o serviço, a resposta, a esquerda em algumas situações, a tomada decisões. O trabalho ainda não acabou", disse Juan Carlos Ferrero, elogiando assim o miúdo que recebeu na sua academia com 13 anos, "magro como esparguete", mas com muito ténis nas mãos.."O Carlitos é exatamente quem parece ser. Ele tem um caráter muito forte. Aprende rápido. É um miúdo muito bom e humilde. A sua família é espetacular e ajuda-o muito. O seu pai acabou de me dizer que temos que acalmá-lo depois disto e meter-lhe os pés no chão", revelou o antigo número 1 mundial.Filho de Virginia Garfia e de Carlos Alcaraz, descobriu o ténis com quatro anos num dos muitos campos do clube em El Palmar onde o pai era diretor. Tal como os três irmãos, foi lá que começou a jogar e cedo o pai percebeu que estava perante um prodígio, "pela familiaridade com a raquete". Nunca se cansava de estar no court e não demorou a competir e a colocar um dilema financeiro à família. As viagens para participar no Campeonato do Mundo de sub-10, na Croácia, eram "incomportáveis", mas o então treinador, Kiko Navarro, recorreu a um mecenas (Alfonso López Rueda) para ajudar Alcaraz a ir à prova..No regresso a Espanha, passou a fazer parte da Nike Junior Tour e em 2015 deslumbrou Ferrero ao chegar às meias finais do Roland Garros sub-13. Mudou-se para a Academia Equelite do antigo n.º 1, mas foi em casa, com 15 anos, que alcançou o primeiro ponto ATP, no Future Murcia (2018), quebrando a marca de precocidade de Nadal. E foi com um triunfo em Portugal que entrou no top 100, em maio do ano passado, depois de conquistar o Oeiras Open 125, e passou a poder competir em torneios ATP 250. Em pouco mais de um ano galgou até número 1, depois de vencer no Rio de Janeiro, Miami, Barcelona, Madrid e agora no US Open. E também juntou um prize money brutal de 5,8 milhões de euros..Em maio esteve para jogar o Estoril Open, mas decidiu descansar depois do triunfo em Barcelona. Segundo o diretor, João Zilhão, Carlitos ficou logo convidado para o torneio em 2023. Será?.isaura.almeida@dn.pt