Câmara colocou dez sensores para combater inundações em Lisboa

O projeto-piloto tem como objetivo detetar de forma precoce inundações em túneis rodoviários ou em zonas mais sensíveis como Alcântara, onde ontem foi colocado o último aparelho. Autarquia liderada por Carlos Moedas diz que, nesta fase, o investimento é "residual".
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A Câmara de Lisboa colocou ontem à noite o último dos dez sensores - nove de inundação e um de caudal - para minimizar os riscos de cheias em oito pontos da cidade, principalmente em túneis. Este processo iniciou-se no final de fevereiro e o local escolhido para a última instalação foi Alcântara, uma das freguesias mais afetadas pelo mau tempo de dezembro. Este é ainda um projeto-piloto, mas o objetivo da autarquia é, no futuro, colocar estes aparelhos por toda a capital e instalar ainda mais sensores de caudal em diversas condutas.

"Como todos sabemos Alcântara é uma das zonas mais sensíveis e críticas para inundações sempre que existem fenómenos de chuvas intensas. Terminamos assim nesta freguesia a primeira fase de instalação destes sensores nas áreas definidas como prioritárias. Alcântara junta-se ao Martim Moniz e aos grandes túneis da cidade. Todos eles passam a estar dotados com mais este sistema de segurança ao serviço da Proteção Civil e todo o sistema de socorro da cidade", explicou ao DN o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas.

Este projeto está ainda numa fase piloto e está a ser feito em parceria com a startup Heliotics, cofundada pelo português Tiago Marques, sendo "residual" o investimento da autarquia. Os aparelhos, juntamente com sensores de caudal previstos para serem instalados em condutas, vão permitir a monitorização em tempo real e permitir a deteção precoce de fenómenos com potencial risco de danos humanos e materiais causados por inundações.

Desta forma, deverá ser possível a melhor gestão de meios de prevenção e a mais rápida ativação dos meios de socorro. "O nosso objetivo é testar este sistema piloto e, se tudo resultar como previsto, avançar e ampliar a rede de sensores a toda a cidade, criando cada vez mais modelos que nos possam ajudar a mitigar riscos com a maior antecedência possível protegendo pessoas e bens", prosseguiu o autarca de Lisboa.

Neste sentido, já foram instalados, entre final de fevereiro e início de março, sensores de inundação nos túneis da avenida João XXI (dois), Entrecampos, Campo Pequeno, Campo Grande (dois) e Batista Russo. Paralelamente foi instalado um sensor na rua Dom Duarte (Martim Moniz) e ontem à noite foi colocado o último, mais concretamente no largo que une as ruas do Alvito e da Cruz a Alcântara. Foi também já colocado um sensor de caudal no número 191 da rua da Palma, junto ao Martim Moniz.

Estes aparelhos estão ligados através da rede LoRa, que é um protocolo de comunicação de longa distância que não precisa de wi-fi, nem cobertura 4G, são autónomos e têm uma bateria que dura até cinco anos sem precisar de manutenção. "Com a avaliação e verificação da correlação dos dados recolhidos entre os diversos sensores nos locais em concreto e também dos caudais nos coletores, o objetivo é criar, no futuro, modelos preditivos", de acordo com informação da autarquia.

Os túneis rodoviários de Lisboa foram das infraestruturas encerradas pela autarquia assim que começaram as inundações de dezembro, que causaram 49 milhões de euros em prejuízos só na capital. Na altura, o presidente da Câmara de Lisboa afirmou que se os dois túneis do Plano Geral de Drenagem da cidade (PGDL) já existissem, as inundações e as cheias de dezembro não teriam acontecido, lamentando que se tenha demorado 20 anos a colocar este plano em prática.

"Para mim a prioridade só pode ser uma: investir em tudo o que seja fundamental e estrutural para garantir a segurança da cidade e dos seus habitantes. Assumi por isso, desde a primeira hora, e não foi preciso esperar pelas consequências das chuvas torrenciais do final do ano passado, de que Lisboa tinha de avançar de uma vez por todas, e sem mais hesitações, para a construção do Plano Geral de Drenagem", declarou agora Carlos Moedas ao DN. "Mas esta obra complexa do PGDL demora naturalmente o seu tempo e temos de continuar a procurar mitigar todos os riscos enquanto ela não estiver concluída e operacional. Nesse sentido, a Câmara Municipal de Lisboa está a agir também, numa parceria com o LNEC, numa operação de inspeção dos grandes coletores de Lisboa para atuar preventivamente na reabilitação da rede (manutenção e proteção dos coletores)", avançou ainda o autarca.

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