BPI ganhou 16 milhões com reforço de posição no BCP antes do anúncio de fusão .CMVM está a recolher dados sobre a compra de acções do BCP.No passado dia 27 de Setembro, o Banco BPI comprou 34 milhões de acções do BCP em bolsa, reforçando a sua posição no concorrente para perto dos 9%. A 2 de Outubro comunicou esse negócio aos investidores. Quase três semanas depois, anunciou ao mercado uma proposta de fusão com o BCP que fez disparar as acções do banco liderado por Filipe Pinhal. O mais recente reforço de posição registou, de imediato, uma valorização que, a preços de fecho de ontem, representa uma mais-valia potencial de aproximadamente 16 milhões de euros. .Um valor calculado tendo em conta os 3,27 euros com que o BCP terminou a sessão de ontem e a média de cotações no dia 27 de Setembro (2,78 euros). Este preço é apenas indicativo, já que não se conhece o valor dos títulos do BCP no momento do reforço da posição pelo BPI. .Sublinhe-se que a mais-valia potencial do BPI com a compra de 34 milhões de acções do BCP através da BPI Vida chegou a ser, há uma semana, de perto de 26 milhões de euros, quando os títulos do BCP atingiram os 3,54 euros na primeira sessão após o anúncio de uma eventual fusão entre os dois bancos. .Um preço que está longe dos níveis actuais, já que as acções do BCP sofreram uma correcção de 7% perante os sinais de indefinição quanto ao futuro da operação. .Isto numa altura em que se iniciou a segunda fase do processo: a abertura de negociações entre as cúpulas dos dois bancos, após a tomada de posições desta semana (ver texto em baixo)..CMVM recolhe dados.A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) está atenta a este processo. Fonte oficial do regulador disse ao DN que estão a recolher os dados relativos a esta e outras questões relacionadas com a evolução dos títulos dos bancos no âmbito da anunciada proposta de fusão. .No entanto, não há indícios concretos de que o BPI possa ter cometido qualquer ilegalidade, nomeadamente que tenha abusado de informação privilegiada. Para que tal possa ser considerado, é preciso - segundo sublinhou ao DN um especialista jurídico nestas questões - que quem tomou a decisão de comprar acções no dia 27 de Setembro, tivesse conhecimento já da proposta de fusão com o BCP, anunciada três semanas depois. E, se houver indícios, é preciso fazer prova. .Por outro lado, o facto de o anúncio sobre o reforço de posição no BCP ter sido público - devido à obrigação de comunicação de uma participação qualificada - retira alguma carga de suspeita que a operação possa suscitar.