No dia 19 de novembro, o país ficou em choque com o abatimento do troço da Estrada Nacional (EN) 255, que liga Borba a Vila Viçosa, provocando a morte de cinco pessoas. Se a circunstância de uma parte de uma estrada ter sido engolida de um dia para o outro já era chocante, onde diariamente passavam inúmeros carros e um autocarro escolar, a reação à tragédia do primeiro-ministro, António Costa, foi também ela inenarrável..Recorde-se que António Costa reagiu fria e desleixadamente recusando responsabilidades, afirmando que, "ao contrário do que aconteceu nas outras circunstâncias, não há uma evidência de uma responsabilidade do Estado". É certo que a estrada era municipal, mas importa pouco essa distinção no momento de aferir se o Estado, neste caso a administração pública, pode passar incólume a uma tragédia desta natureza. Na altura, veio - e bem - o Presidente da República distinguir juridicamente a responsabilidade objetiva da responsabilidade subjetiva. A primeira própria da administração pública perante os familiares das vítimas e a segunda dependente, naturalmente, daquele que vier a ser o resultado das investigações feitas..Veio agora o relatório preliminar da Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território admitir que poderá haver responsabilidades indiretas também por parte da administração central. O que fez que o governo, reunido nesta semana em Conselho de Ministros extraordinário, viesse abrir o procedimento para atribuição de indemnizações pela morte das cinco pessoas. A Provedoria de Justiça ficará a cargo do processo, como sucedeu recentemente com o caso das vítimas dos incêndios florestais de 2017. Naturalmente que esta decisão não prejudica o apuramento de eventuais responsabilidades relativamente às quais possa vir a ser exercido direito de regresso por parte do Estado, mas é um primeiro passo para que os familiares das vítimas possam ser indemnizados em resultado da tragédia que lhes aconteceu..A rapidez com que António Costa rejeitou responsabilidades do Estado foi mais um episódio que prova a sua incapacidade em ser primeiro-ministro na sua plenitude, nos bons e nos maus momentos. Quem não se lembra da displicência e da insensibilidade com que reagiu aos incêndios de Pedrógão Grande e de outubro do ano passado? Foi necessário um "puxão de orelhas" público do Presidente da República e iniciativas de outros partidos, como foi o caso do Partido Social-Democrata, a exigir que fosse criado um mecanismo célere e expedito de indemnização às vítimas e aos seus familiares para que o governo viesse a reboque apresentar uma solução. Tardia, mas que chegou. Tal como agora..Neste caso, um mês foi o tempo necessário. Para o governo mudar de opinião e assumir que poderá haver de facto responsabilidade do Estado. Continua é a escassear a António Costa sentido de Estado nos momentos mais complicados para o país..Presidente da JSD