"O BE teve conhecimento de que a empresa Ecco'Let, situada em São João de Ver, estará a fazer assédio moral a cerca de 30 trabalhadores para que estes rescindam o contrato com a empresa por mútuo acordo", revela a coordenação de Aveiro do partido em comunicado. ."Os trabalhadores são pressionados pelas chefias a aceitarem uma rescisão mútua e este tipo de prática configura assédio moral - trata-se de uma prática ilegal e inaceitável num país da União Europeia", realça o documento..Para o BE, a situação tem a agravante de em causa estar "uma empresa lucrativa, que nos últimos anos recebeu vários milhões de euros de fundos comunitários para a sua modernização e que, mais recentemente, recebeu centenas de milhares de euros em benefício fiscais para a criação de empregos"..O partido realça que tudo isso é "dinheiro dos contribuintes" e, citando dados da Autoridade Tributária relativos a 2016, realça que o caso se verifica depois de "a empresa ter recebido benefícios fiscais no valor de 445 mil euros para criar emprego".."Este tipo de prática tem que ser investigado e não podemos permitir que se instale um clima de impunidade na área laboral", defende o BE. "A Autoridade para as Condições do Trabalho tem que intervir imediatamente, punindo práticas de pressão claramente prejudiciais para os trabalhadores", alerta..Contactada pela Lusa, a direção da ECCO'Let Portugal - Fábrica de Sapatos, Lda., afirma estar a proceder a "uma redução de pessoal no departamento de Investigação & Desenvolvimento da fábrica de São João de Ver", mas realça que isso envolve cerca de 30 pessoas num universo de 1.200 colaboradores e se deve a "alterações no processo de fabrico"..As mudanças prendem-se com "a configuração das estações de produção dos artigos e a introdução de amostras digitais", com o que a empresa se quer "preparar para o futuro e fazer face aos desafios que as novas tecnologias suscitam a cada passo"..Acrescentando que "a redução de pessoal foi previamente discutida e planeada com a comissão sindical da empresa", a Ecco'Let informa ainda que a reestruturação do referido departamento "restringe-se aos colaboradores que se voluntariem [para sair], mediante o pagamento de uma compensação majorada em relação ao que está previsto na lei para casos de reestruturação deste género"..A empresa realça, por isso, que "a evolução do processo faz prever uma boa adesão dos trabalhadores ao plano de redução de efetivos".