Beatriz Batarda é Hilde Wangel, protagonista de O Construtor Solness, considerada por alguns especialistas a obra-prima do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen. .Beatriz estreou-se no Teatro da Cornucópia, mas já não lhe pisava o palco há uma década. Aos 33 anos, muitas coisas se passaram na sua vida profissional e pessoal e "é diferente" estar agora no Teatro do Bairro Alto. Estudou em Inglaterra, fez televisão e teatro lá, cinema e teatro cá, tornou-se a coqueluche da sua geração, e foi chamada para produções ditas de excelência. .A sua personagem, Hilde, simboliza a esperança e a alegria. Tem 22 anos e vem trazer à personagem do construtor (Luís Miguel Cintra) a vitalidade perdida. Beatriz, que agora traz outras coisas na bagagem, inclusive na sua vivência pessoal, acha que era muito difícil uma actriz com a idade da personagem compreender a sua grandeza e a sua complexidade. "A Hilde é uma figura que já existe noutra peça, A Senhora do Mar. Hilde é uma bizarra rapariga de 12 anos aos olhos da burguesia. Esta é a mesma personagem, mas noutra história. Ela carrega um simbolismo muito forte. Simboliza o que seria o idealismo, a esperança, uma fé na ideia de que o homem tem direito a seguir o seu sonho para ser um homem com H grande e que, com um gesto, vai servir a humanidade no futuro. É muito actual porque não se trata de uma criatura que faça parte da estrutura burguesa, onde se vive só o presente e o individualismo." A actriz explica: "A personagem foi aparecendo conforme eu fui percebendo o significado dos diálogos entre ela e o construtor. Mais do que a própria personagem, foi encontrar a função dela. Durante a própria peça faz uma viagem de crescimento. Eu diria que a Hilde é uma espécie de fada. Com a irascibilidade e implacabilidade de uma jovem de 22 anos que acha que o Mundo tem respostas e certezas para tudo. E que pensa ser óbvio que uma pessoa tem de ser - e não tem de duvidar, como Hamlet, entre ser ou não ser.".Beatriz diz-se fruto de uma série de "coincidências". Surgiu no cinema quando se falava muito das questões da juventude e numa altura em que "havia mais produção nacional". Mantém uma ligação a Inglaterra, onde tem um agente, continuando a fazer produções televisivas, com uma já marcada para 2008. E é assim que se permite ter o luxo de "escolher" os trabalhos que mais lhe interessam. Às vezes tem momentos de "claustrofobia" em Portugal, mas investiu na vida pessoal por ter consciência de que "um actor é também o seu crescimento pessoal".|