Barra pesada

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Santana Lopes está cansado. O homem que gosta de "alto astral" tem "a barra do seu tempo pesando nos ombros", como reza a cantiga do Guerreiro Menino. E a barra está pesada. Vê-se-lhe na cara, pálida. Vê-se nas mãos, que às vezes lhe tremem quando sai dum banho de multidão. Os apertos, os abraços, os beijos, são um tónico para a alma e um rolo compressor para o corpo. Valem a Santana os momentos de repouso, quando os tem, num quarto de hotel, entre acções de campanha. Ou as refeições com amigos, como o almoço de ontem, quase à hora do lanche, com Gomes da Silva, Pedro Pinto e três assessoras. Pausas curtas, que o povo espera-o. Em Viseu, era muito e caloroso. Entre o entusiasmo dos eleitores, a ânsia dos jornalistas e o zelo dos seguranças, Santana andou aos esses pelas ruas cheias. Quando por fim entrou no carro, tapou os olhos com a mão direita e o motorista arrancou. Só faltam dois dias.

Filipe Santos Costa

Diário de Notícias
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