Atirar bolas ao ferro é uma obra de arte

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Atirar bolas ao poste ou à trave não é coisa humana. No futebol é um mecanismo emocional que nos leva, em centésimos de segundo, se formos adeptos da equipa que ataca, da pré-explosão de alegria à desolação mais funda e, daí, outra vez para cima, ao êxtase de quem acabou de assistir a um fenómeno sobrenatural. Se formos da equipa que defende saímos, também em centésimos de segundo, da aflição mais dilacerante para o alívio celestial e, daí, novamente para baixo, para a incredulidade cética de quem viu um milagre inexplicável. Isto é demasiado para criaturas frágeis como nós, pessoas de vidinha simples e emoções educadas.

No jogo de ontem vivemos isto pelo menos três vezes. Mas há quem consiga fazer deste terrorismo futeboleiro uma plácida e comtemplativa obra de arte. Estou a recordar-me de um vídeo de Ronaldinho Gaúcho, a experimentar botas novas da marca que o patrocina. Ele atira, em sucessivos remates à entrada da área, sem deixar cair a a bola no chão, quatro vezes contra a trave. O feito lançou um mar de dúvidas: não estaríamos a ser iludidos por um truque de vídeo? Um grupo de cromos produziu um momento cómico, igualmente colocado no YouTube, onde se explica como a hipotética fraude poderia ter sido cometida. E, entretanto, encontrei uma partida no Brasil com uma jogada em que a bola bate quatro vezes nos ferros e não entra. Que crueldade!

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http://tinyurl.com/c9mboq6

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