As dificuldades de passar no aeroporto com um prémio Nobel na bagagem
O astrofísico nascido nos EUA Brian Schmidt, que vive na Austrália, contou a aventura que teve quando tentou sair de Fargo, na Dakota do Norte, com o Nobel da Física que recebeu em 2011. Tinha-o levado na bagagem por uma razão simples: para o mostrar à sua avó.
Só que as coisas complicaram-se no controlo de segurança. Ao ponto de o cientista ter de se explicar a um guarda de fronteira que, perplexo com a grande medalha de ouro maciço, lhe perguntou quem lha deu. "O rei da Suécia", acabou por responder, com honestidade, o cientista.
Schmidt contou a história no mês passado numa conferência em Nova Iorque, num discurso agora reproduzido no blogue Scientific America:
"Quando ganhei [o Nobel], a minha avó, que vive em Fargo, na Dakota do Norte, pediu para o ver. Eu ia visitá-la e decidi levar a medalha. Pode pensar-se que andar com um Prémio Nobel não seria problemático, e de facto correu tudo bem até que tentei sair de Fargo com ele, e passei pela máquina de raios X.
"Eu percebi que [os guardas] estavam confusos. [O Nobel] estava na mala do computador e é feito de ouro, pelo que absorve todos os raios X - fica completamente negro. E eles nunca tinham visto [no ecrã] algo completamente negro.
"Viram-se para mim, tipo: 'O senhor tem qualquer coisa na mala'. Eu respondo: 'Sim, penso que é esta caixa'.
"Ao que eles perguntam:'E o que é que está na caixa?'
"- Uma grande medalha de ouro - respondo.
"Eles abrem a caixa [veem a medalha] e perguntam: 'Do que é que é feita?'
"Eu respondo: 'Ouro.'
"E aí eles ficam: 'Uhhh. E quem lhe deu isto?'
"- O rei da Suécia
"- E porque é que ele lhe deu isto?
"- Porque eu ajudei a descobrir que a taxa de expansão do universo está a acelerar.
"Nesta altura, eles estavam a deixar de achar graça, pelo que lhes expliquei que se tratava de um prémio Nobel.
"E aí a sua maior preocupação foi: 'O que é que está a fazer em Fargo?'"

