As coisas estão mesmo a aquecer

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Enquanto uns se preparam para ir a votos, ou celebram as suas vitórias eleitorais, indo ou não a votos, no resto do mundo as coisas estão mesmo a aquecer.

Vemos apelos do governo chinês para que a população proceda ao armazenamento de bens de primeira necessidade, alegadamente por duas ordens de razão: de um lado, o fantasma de um novo confinamento causado pela pandemia; do outro as alterações climáticas que podem isolar grande parte da população por longos períodos de tempo. Veja-se o exemplo do primeiro grande nevão deste inverno, ocorrido no passado fim de semana, e quase um mês antes da média registada entre 1991 e 2020.

Mas não é só a China. Dilúvios pelo mundo fora, nomeadamente na Índia ou aqui mais próximo aquilo que se tornou uma infeliz "nova" atração turística do velho continente: a Praça de São Marcos, em Veneza, que agora se apresenta semi submersa.

É nas terras altas, em Glasgow, na Escócia, que por estes dias se debate um dos temas mais importantes para a subsistência da humanidade na Terra. Um assunto que não pode ser indiferente a ninguém e que a todos tem de importar, e muito: as alterações climáticas e as decisões que podem mudar as linhas de um futuro pouco risonho.

Começou mal. Uma cimeira do clima sem a presença física dos Chefes de Estado da China, Rússia, Brasil ou México não pode ser encarada com a mesma seriedade. Trata-se de países que, para além de estarem a sofrer enormes consequências provocadas pelo aquecimento global, é inegável que a sua ausência dá um sinal claro de que o compromisso que todos têm de assumir fica mais difícil de alcançar.

Os comportamentos erróneos não cabem apenas na cesta dos países supra citados. Os Estados Unidos, um dos grandes poluidores mundiais, saíram há tempos do "Acordo de Paris", embora tenham agora regressado. O exemplo foi mau, mas a parte boa é que a saída temporária não inverteu as medidas que as empresas estavam a implementar no quadro do acordo.

Não obstante, e já com o regresso desse gigante, torna-se necessário aproveitar todas as oportunidades para alcançar progressos. Especialmente porque nesse caso em concreto há evidências científicas de que as alterações climáticas existem, estão a criar graves problemas à humanidade e só irão piorar, do mau para o catastrófico.

É uma obrigação global conseguir implementar a redução de 1,5ºC, a diminuição drástica da emissão de gases com efeito de estufa, a descarbonização das economias globais e todos os outros compromissos assumidos. Felizmente, um pouco por todo o mundo, as pessoas demonstraram que as palavras soltas e a demagogia já não chegam. É preciso agir, fechar compromissos concretos e mesuráveis.

Ao fim de 25 anos, o COP alcançou vários resultados práticos, dos quais se destacam os acordos de Quioto e Paris. Recorde-se, contudo, que a realização do COP26 dá-se um ano depois do agendado. Se tal não tivesse acontecido estariam agora as delegações a analisar resultados das implementações das medidas autoimpostas pelos estados.

A pandemia global não escolheu estado para proteger, provocou o adiamento da realização da cimeira e gerou a disrupção que se conhece no presente. Tal como o combate vislumbrado à pandemia, onde o esforço coletivo foi e é fulcral para a sua contenção, serão as mudanças de toda a Humanidade que poderão fazer a diferença.

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