Artur Albarran detido por branqueamento de capitais

Publicado a
Atualizado a

Indícios de branqueamento de capitais e evasão fiscal levaram ontem a Polícia Judiciária a deter Artur Albarran, no âmbito de uma investigação à empresa Euroamer SPG, com sede no Estoril, de que é administrador. As autoridades judiciárias procederam na quinta- -feira a buscas à casa onde ultimamente residia o ex-apresentador de televisão, que ao princípio da tarde de ontem foi conduzido ao juiz Carlos Alexandre, no Tribunal Central de Instrução Criminal. Até ao fecho da edição, desconhecia-se se da detenção resultou alguma medida de coacção.

A advogada da empresa, Rita Delgado, foi também constituída arguida. Aliás, a detenção de Albarran só se realizou depois de a Polícia Judiciária ter efectuado, na quinta-feira, uma busca ao escritório da jurista, que é presidente da Assembleia Geral da Euroamer, com procuração junto de vários offshores. Ao que o DN apurou, a avaliação da documentação apreendida terá sido crucial para a detenção do ex-apresentador de televisão.

As suspeitas de branqueamento de capitais surgiram depois de a Inspecção-Geral das Finanças, em 2003, ter passado a pente fino toda a contabilidade da Euroamer, empresa criada em Portugal em 1997 com a bênção do ex-director da CIA Frank Carlucci. Os inspectores produziram um extenso relatório a alertar para a prática de alegados crimes económicos, onde se pode ler "O presente relatório evidencia uma complexa teia de contratos e fluxos financeiros entre a Euroamer SPG e entidades do grupo e exteriores ao grupo, visando quer a diminuição da matéria colectável da GPS e/ou das entidades do grupo, quer ainda a ocultação ou dissimulação da verdadeira natureza, disposição e movimentação de fluxos financeiros significativos, os quais induzem à suspeição da prática de ilícitos de branqueamento de capitais". Neste sentido, remeteram o documento ao secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, ao Banco de Portugal, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, à Procuradoria-Geral da República (PGR) à Secretaria de Estado do Tesouro e Finanças e à Direcção-Geral dos Impostos.

A ida dos inspectores à Euroamer teve origem numa queixa apresentada por João Menezes Ferreira, ex-deputado socialista que administrou a Euroamer logo no início da criação da empresa, juntamente com Albarran. Os inspectores detectaram a existência de três contratos assinados em 1998 entre uma instituição financeira portuguesa e uma outra inglesa - a Aynor -, alegadamente para que ambas movimentassem o dinheiro necessário aos investimentos da empresa, nomeadamente a construção de um edifício, que agora é a sede de um banco, e um conjunto de mais de 200 fogos nos arredores do Centro Comercial Colombo. Menezes foi então chamado para que explicasse aquela engenharia financeira, propícia à fuga e branqueamento de capitais. O ex-deputado logo esclareceu que foi o próprio a celebrar aqueles contratos, com a sua própria assinatura, vinculando a Euroamer.

Por isso, achou estranho que o seu nome tenha desaparecido daqueles documentos, sendo substituído por alguém que vinculava a Aynor, entidade financeira sediada em Londres com capacidade para colocar dinheiro em qualquer offshore do mundo. Menezes Ferreira já em 1999 tinha acusado os corpos gerentes da Euroamer de falsificação de títulos. Com esta alegada manobra, terá deixado de representar cerca de 40 por cento do capital, pertencente a vários accionistas norte-americanos.

As queixas de Menezes Ferreira e o relatório da Inspecção-Geral das Finanças originaram várias investigações, uma das quais a cargo do Departamento Central de Investigação e Acção Penal que agora culmina com a detenção de Albarran.

Diário de Notícias
www.dn.pt