Armas militares usadas em assalto escondidas na capela

O sótão de uma capela em Ourém foi o esconderijo das armas de guerra utilizadas pelo "gang" francês no roubo a um veículo blindado de transporte de valores a 18 de Dezembro de 2009, em Taveiro, Coimbra.
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Fonte da Directoria do Centro da Polícia Judiciária revelou hoje que o esconderijo foi descoberto no passado dia 30 de Março na sequência das declarações prestados pelos indivíduos, quatro franceses e um português residente em França, todos eles com um grande cadastro de assaltos violentos. No âmbito do processo, os cinco operacionais já se encontram detidos, a aguardar extradição para Portugal, mas a Polícia Judiciária não exclui a possibilidade de outros indivíduos poderem serem sujeitos a medidas detentivas, os que terão desempenhado funções logísticas e de apoio em Portugal. A sua base de operações foi instalada na região centro, num local não especificado pela PJ, e durante um mês serviu para preparar o roubo, no qual utilizaram explosivos para abrir um buraco na blindagem do veículo, para se apropriarem de 300 mil euros dos cerca de nove milhões que eram transportados.

O roubo foi perpetrado na noite de 18 de Dezembro de 2009, e a sua sofisticação, e o abandono no local de objectos com inscrições em língua francesa, como uma lanterna e uma bateria, deram pistas aos investigadores. Com idades entre os 44 e os 70 anos, três dos assaltantes não têm profissão, e o português é proprietário de uma oficina automóvel, o que terá facilitado a viciação de matrículas de automóveis utilizados. O mais velho dos detidos é um antigo combatente, condecorado na guerra de libertação da Argélia, e no seu curriculum tem o "recorde" de assaltos a bancos em menos de uma hora. Há uns anos atrás assaltou três em Paris em 45 minutos e não foi apanhado, adiantou uma fonte da PJ. A investigação da Directoria do Centro da PJ, que envolveu 61 elementos, foi realizada em articulação com um departamento da sua congénere francesa - o Office Central de Lutte Contre le Crime Organisé (OCLCO) - e o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Coimbra. Culminou, na terça e quarta-feira da semana passada numa vasta operação policial simultânea, em Portugal e em França.

No sótão da capela em Portugal foram encontradas, dissimuladas em sacos, cinco granadas, uma arma anti-tanque de calibre 64 mm, duas espingardas de assalto Kalashnikov, de calibre 7,62 mm e uma espingarda "shotgun" de calibre 12, duas pistolas de calibre 9 mm. No mesmo local encontraram ainda quatro barras de "alto teor explosivo" PEP 500, detonadores eléctricos, dispositivos com ventosa e carga explosiva para corte linear, 200 munições de calibre 9 mm e 7,62 mm, cinco coletes à prova de bala, dois coletes táticos, dois gorros e fatos específicos para manuseamento de explosivos. Uma das armas automáticas apreendidas foi a utilizada na rajada disparada sobre a carrinha no final de assalto, segundo análises efectuadas no Laboratório de Polícia Científica, da PJ.

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