Anunciados 24 ME de investimento até 2021 na modernização parcial da Linha do Vouga

A Infraestruturas de Portugal anunciou hoje em Santa Maria da Feira 24 milhões de euros de investimento faseado na Linha do Vouga até 2021, para uma modernização parcial que os municípios esperam compatível com "reais necessidades" dessa ferrovia.
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Apresentado na celebração dos 110 anos da linha que liga Espinho a Aveiro através de um percurso não eletrificado de 70 quilómetros por vários municípios do interior, o plano prevê quatro fases de obras a partir de 2019.

Para o presidente da Associação de Municípios das Terras de Santa Maria (AMTSM), que representa seis concelhos entre os quais Espinho, Feira, São João da Madeira e Oliveira de Azeméis, que são os diretamente atravessados pela Linha do Vouga, essa modernização "é bem-vinda", mas, uma vez que ainda não prevê a mudança de bitola indispensável para que a ferrovia possa integrar a Linha do Norte e viabilizar o acesso direto ao Porto, o investimento terá que "bater certo" com alterações desejadas para o futuro.

"Todos estes investimentos na requalificação da Linha do Vouga são úteis, mas é preciso que respondam às necessidades já identificadas e a mais importante é a alteração da bitola, para que a via possa ser integrada na Linha do Norte e permitir que uma comunidade de mais de 300.000 pessoas a possa utilizar de forma rápida e eficaz no acesso até ao Porto", explica Joaquim Jorge Ferreira à Lusa.

Considerando que a AMTSM aguarda para breve as conclusões de um estudo que a Área Metropolitana do Porto encomendou sobre o tema à Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, o autarca que também presidente à Câmara de Azeméis espera que a Infraestruturas de Portugal acautele "desperdícios" para não investir agora em intervenções que se revelem inúteis no futuro, quando se concretizar a deseja alteração da bitola métrica de via estreita para a ibérica de via larga.

Uma das hipóteses já equacionadas no estudo em curso é uma despesa de cerca de 95 milhões de euros para requalificar apenas a componente de transporte de passageiros da Linha do Vouga; outra é a aplicação "mais ambiciosa" de 165 milhões para que a via possa integrar também a vertente do transporte de mercadorias.

"Esperamos que a Infraestruturas de Portugal tenha sensibilidade para acautelar uma aplicação sensata dos fundos anunciados hoje porque é importante que todos os investimentos preconizados por essa entidade sejam compatíveis com as reais necessidades da Linha do Vouga e conduzam à concretização futura do nosso objetivo final", insiste Joaquim Jorge Ferreira.

Entre os investimentos anunciados pela Infraestruturas de Portugal incluem-se dois a arrancar em 2019: um de 3,4 milhões de euros para a automatização de 20 passagens de nível no troço de Espinho a Azeméis e de 15 no de Sernada a Aveiro, e outro de 900.000 euros na construção de um parque de material, oficinas e abastecimento em Paços de Brandão, na Feira, para agilização de procedimentos de manutenção no material circulante.

Para 2020 estão depois previstos 12,7 milhões para renovação do troço entre Espinho e Azeméis e, para 2021, mais 7 milhões para intervenção idêntica entre Águeda e Aveiro.

A Infraestruturas de Portugal propõe-se ainda concluir até final de 2018 um estudo sobre a procura gerada pela Linha do Vouga, equacionando aspetos como os efeitos do desejado aumento de velocidade, da redistribuição de estações, da ligação à Linha do Norte e do prolongamento dos comboios suburbanos até Azeméis - mas também aí o presidente da AMTSM espera atenção para com necessidades já identificadas.

"Há apeadeiros e estações que estão no mesmo sítio há 110 anos, em locais que hoje já não se adequam ao fluxo dos utentes", diz Joaquim Jorge Ferreira. "Se se analisar os efeitos que o enterramento da estação [principal] de Espinho teve desde 2008 no volume de passageiros da Linha do Vouga, também se percebe como é necessário criar o interface que ligue essa estação à que é específica do Vouga, porque, dada a distância [de centenas de metros] que obriga as pessoas a deslocarem-se a pé entre uma e outra, perderam-se entretanto 150.000 passageiros", conclui.

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