"Fica aqui o desafio ao Governo, ao senhor ministro do Planeamento e das Infraestruturas e ao Conselho Regional do Norte [órgão consultivo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte - CCDR-N] para que o Norte tenha uma palavra a dizer sobre a reprogramação do 2020", afirmou José Maria Costa..O socialista, que falava em conferência de imprensa, adiantou que em maio de 2017 a CIM do Alto Minho pediu uma reunião do Conselho Regional da CCDR-N para discutir o assunto, que, "até hoje, não se realizou"..A conclusão da reprogramação dos fundos do Portugal 2020 "até final do mês de março" levou José Maria Costa, que também preside à Câmara de Viana do Castelo, a insistir na realização daquela reunião por considerar que "o Norte não está a ser ouvido".."Nós temos que entregar em Bruxelas, até final de março, o nosso programa de reprogramação e aquilo que eu sinto é um vazio de discussão na região Norte, uma ausência de discussão dos atores principais no que tem a ver com o seu próprio desenvolvimento e com o desenvolvimento do nosso país", frisou José Maria Costa, que também preside à Câmara de Viana do Castelo..No encontro com os jornalistas, realizado na Câmara da capital do Alto Minho, o autarca sublinhou que "o Norte não pode fazer-se de morto".."O que nós estamos a sentir é que as decisões de reprogramação estão a ser tomadas em Lisboa e não estão a ser tomadas as decisões ouvindo os autarcas, as empresas, as instituições de ensino superior da região Norte. O norte não pode estar ausente desta discussão. Porque grande parte da justificação do Portugal 2020 deve-se à região de objetivo 1 que é a região norte", afirmou.."Temos visto e assistido a anúncios soltos e dispersos, por parte do senhor ministro, anunciando uma linha de caminho-de-ferro, um hospital. Naturalmente que são investimentos importantes mas a região Norte, que é a que tem o Produto Interno Bruto (PIB) mais baixo do país e aquela que justificou um maior investimento, por parte da União Europeia no seu desenvolvimento, tem de ter uma palavra a dizer", frisou..Questionado se as verbas estão ser desviadas para outras regiões, admitiu estar "muito preocupado com a ausência de informação e com ausência de discussão" sobre o seu destino, afirmando ser "urgente" que o ministro do Planeamento e das Infraestrutura "venha à região discutir as prioridades"..Na declaração que proferiu, antes das perguntas dos jornalistas, José Maria Costa apontou como exemplos de "projetos estruturantes" a incluir na lista nacional a enviar para Bruxelas a navegabilidade do rio Douro e os projetos "Last Mile": acessos a Paredes de Coura, ao porto de mar de Viana do Castelo, a Arouca, ao AveParque, a Montalegre, a São João da Pesqueira, Estrada Nacional (EN) 14 entre Vila Nova de Famalicão e a Maia e a ligação entre Penafiel e Castelo Paiva..Os acessos a Vila Verde, a Mondim de Basto, a Vinhais e Vimioso, o reforço dos sistemas de incentivos às empresas da região, ao sistema científico e tecnológico, bem como das verbas para a Saúde e para a reabilitação de escolas EB 2,3 foram outras das "prioridades" que José Maria Costa defendeu que devem constar da reprogramação dos fundos comunitários.."Há infraestruturas associadas aos fatores de competitividade das empresas e da região que têm de ser ponderadas e discutidas com a Comissão Europeia pois, no decorrer das negociações do Acordo de Parceria, Portugal não foi suficientemente convincente na defesa destes objetivos da coesão nacional", frisou.