Lamento, mas isto está cada vez mais estranho. Hoje recordamos no DN os motivos que, ao longo da história, têm levado os americanos a sair à rua em protesto. Direitos cívicos, Vietname ou Iraque, por exemplo, levaram centenas de milhares às ruas de Washington. Dois dias depois da posse de Donald J. Trump cerca de meio milhão desfilou nas ruas da capital. Não me parece que os motivos para estas marchas venham a escassear nos próximos tempos..Estava a começar a escrever quando um alerta saltou no computador. Trump tinha acabado de acusar a imprensa de esconder ataques terroristas. Sim, leram bem. Dias depois de Kellyanne Conway, uma das porta-vozes do presidente, ter inventado um massacre que nunca aconteceu - em Bowling Green, no Kentucky -, para justificar uma barragem temporária a imigrantes do Iraque imposta por Barack Obama. Dias depois, Trump vem reforçar a mensagem, acusando a imprensa de esconder atentados terroristas. Nada acontece por acaso e este é o tipo de mensagem que cola junto dos apoiantes mais extremistas e mais dados a teorias da conspiração. Pouco importa a verdade ou as reações da imprensa mais tradicional. São tudo fake news da imprensa desonesta, tão triste!.E a ética, senhores? Donald ainda não apresentou a sua folha de impostos nem irá apresentar, quebrando assim uma longa tradição presidencial (ou mesmo entre candidatos). Soube-se nesta semana, através de documentos revelados pela organização ProPublica, que o presidente constituiu um fundo para onde vão cair os proveitos dos negócios, geridos agora pelos dois filhos mais velhos. Quem é o único beneficiário do fundo? Sim, Donald J. Trump, o presidente que toma decisões como acabar com as restrições e níveis de supervisão pós-crise de 2008, que podem beneficiar as suas empresas..E Ivanka Trump, filha de Donald, conselheira política do presidente e esposa de Jared Kushner, também um dos influentes conselheiros do presidente? Tem uma linha de roupas e joias. Apesar de ter prometido separar-se dos negócios, ainda não produziu qualquer prova de que o tenha feito. Ivanka já tem casa em Washington e tem organizado jantares com a elite política, financeira e empresarial. Numa dessas festas, sentou-se à mesa o CEO da Wal-Mart, uma cadeia de lojas que vende a marca de roupas e joias de Ivanka. Sim, a mesma Ivanka que assiste a reuniões na Casa Branca, onde são tomadas decisões sobre política económica